Cidade mineira decreta situação de calamidade por causa de casos suspeitos de febre amarela

O prefeito de Ladainha assinou o decreto nessa segunda-feira, mas o documento foi divulgado nesta terça-feira. Cidade poderá tomar medidas urgentes contra a doença

João Henrique do Vale

A preocupação com o surto de febre amarela nos vales do Rio Doce e Mucuri levou a Prefeitura de Ladainha a decretar situação de calamidade pública na saúde.

O documento foi assinado nessa segunda-feira pelo Prefeito Walid Nedir Oliveira (PSDB) e divulgado nesta terça-feira. Com a publicação, a administração municipal pretende adotar medidas urgentes para conter os casos na cidade. No decreto, há informação de dezenas de casos suspeitos e de 10 mortes de pessoas que tiveram sintomas da doença.

No documento, o prefeito afirma que a cidade e outras vizinhas passam por um momento de medo. “O momento de apreensão por que passa a população do município de Ladainha em razão das evidências de surto de febre amarela no município e na região, com o registro, até esta data, de dezenas de casos suspeitos, com 10 óbitos, pendentes de confirmação oficial por parte da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais”, diz o decreto.

A administração municipal afirma que o decreto foi assinado por causa da necessidade de serem adotadas medidas imediatas e eficazes para a proteção da população em “iminente vulnerabilidade coletiva”. Entre as ações, está a reposição de medicamento.
“Das medidas a serem adotadas no enfrentamento da situação de risco, impõe-se o restabelecimento do estoque de medicamentos e equipamentos médicos e hospitalares do município, com a mobilização e adequação do setor de recursos humanos para a efetiva prestação dos serviços de saúde pública do município, em parceria com o Estado e União”.

Com a aprovação do decreto, o prefeito pretende, dentro dos limites legais, “autorizar e editar medidas de urgência voltadas para o imediato restabelecimento da regularidade no atendimento aos munícipes, inclusive com solicitação junto ao governo estadual e federal do apoio logístico, material e financeiro”, comentou no documento.

O decreto entrou em vigor nesta terça-feira, data da publicação, e tem prazo de 90 dias, prorrogáveis por mesmo período.

Vacinas

A corrida está grande por vacinas em cidades onde casos da doença foram notificados. Nesta terça-feira, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG) afirmou que vai vacinar em casa as pessoas que moram nas áreas com registros de casos de febre amarela nos vales do Rio Doce e Mucuri. As áreas rurais terão preferência. Duas equipes do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do Sistema Único de Saúde (EpiSUS) e técnicos do Programa Nacional de Imunização e Coordenação-Geral das Doenças Transmissíveis, vinculados ao Ministério da Saúde, vão dar apoito.

Dez municípios (Ladainha, Malacacheta, Frei Gaspar, Caratinga, Piedade de Caratinga, Imbé de Minas, Entre Folhas, Ubaporanga, Ipanema e Inhapim), distribuídos nos vales do Mucuri e do Rio Doce, registraram 23 casos, sendo 16 prováveis e sete ainda em investigação. Das 23 notificações, 14 mortes foram constatadas. Atualmente, Minas Gerais tem 280 mil doses da vacina contra a febre amarela em seu estoque, mas o Ministério da Saúde vai encaminhar, ainda hoje, mais 285 mil doses ao estado, totalizando 565 mil unidades para toda a população mineira.

RB

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