Jornal Estado de Minas

Médicos cubanos recebem homenagem em Belo Horizonte

O Conselho Municipal de Saúde de Belo Horizonte (CMS-BH) homenageou na tarde desta terça-feira os 26 médicos cubanos que trabalharam na capital mineira nos últimos três anos no Programa Mais Médicos. A cerimônia foi no Espaço Cultural Casa do Jornalista, no Centro da capital mineira. Os profissionais receberam um certificado e puderam se reunir com pacientes e colegas de trabalho. Eles estão encerrando suas atividades e retornam à Cuba esta semana.

Os médicos cubanos atuaram em sete das nove regionais de Belo Horizontes. Eles foram distribuídos em 22 unidades de saúde. A homenagem foi feita em parceria com a Secretária Municipal de Saúde.

"É muito especial. Nós não fazemos o trabalho com a expectativa de ganhar homenagem.

Fazemos com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das pessoas e a saúde. Então quando você recebe um certificado desse, é sinal de que o trabalho foi bom, que nós conseguimos fazer alguma coisa", diz a cubana Anilec Oliva Gutierrez, de 38 anos.

Por enquanto, a médica só pensa em voltar para casa, para seu antigo posto de trabalho e curtir sua família, mas não descarta aceitar um novo desafio no futuro ou mesmo voltar ao Brasil. Em Belo Horizonte, Anilec atuou no Centro de Saúde Cícero Idelfonso, no Bairro Vista Alegre, Oeste da capital.

Ela lembra dos primeiros dias. "Eu falava pouco português, outras pessoas não falavam nada, mas os colegas brasileiros se esforçavam muito para nos ajudar. Então começamos a fazer o que a gente sabe, o que nós aprendemos. E nós vimos o resultado na melhora dos nossos pacientes, nos indicadores do município e hoje tem muita gente que pede para gente não ir embora. Os pacientes têm muita gratidão", diz.

O presidente do CMS-BH, Bruno Pedralva, diz que os cubanos fizeram um trabalho silencioso que deu resultados.
"Eles trazem a solidariedade como princípio e entendem a saúde como um direito das pessoas. Recebemos cotidianamente elogios de pessoas maravilhadas com o carinho que eles demonstram e com a dedicação ao trabalho. Eles cumprem rigorosamente seus horários. Frequentemente trabalham até mais".

O Programa Mais Médicos (PMM) é composto por um conjunto de medidas que visam melhoras no atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele prevê a contratação de médicos brasileiros e estrangeiros para regiões onde há escassez ou ausência desses profissionais. A chegada dos médicos cubanos para atuar no programa se deu por meio de um convênio intermediado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

Mais Médicos alcançou 72,8% dos municípios brasileiros, beneficiando 63 milhões de pessoas.
O programa inclui investimentos em infraestrutura e na formação profissional. Até 2017, a previsão é que sejam criadas 11,5 mil novas vagas de graduação em medicina e 12,4 mil vagas de residência médica.

Em setembro, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, anunciou o reajuste em 9% da bolsa dos profissionais que atuam no programa. Ele também confirmou a renovação do convênio com a Opas. No entanto, a meta é reduzir a participação dos cubanos e aumentar a dos brasileiros. 

Atualmente, o Mais Médicos tem 18.240 vagas na atenção básica de saúde em 4.058 municípios e 34 distritos indígenas. Destas vagas, 11.429 são preenchidas por profissionais que vieram de Cuba, o que representa 62,6%. Para o presidente da CMS-BH, o trabalho dos médicos cubanos prova que profissionais bem formados atuando nas comunidades e nos centros de saúde fazem a diferença. 

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