Arquidiocese de BH anuncia locomotiva para visitação na Serra da Piedade

Objetivo é melhorar mobilidade e não prejudicar meio ambiente. Enquanto isso, Cúria Metropolitana comemora investimento de R$ 2,6 mi no caminho religioso que liga as igrejas das padroeiras de Minas e do Brasil

Gustavo Werneck
Reprodução do trem que vai servir aos turistas no santuário da Serra da Piedade - Foto:
Os milhares de peregrinos que visitam a Serra da Piedade, em Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, terão um meio de transporte diferente para chegar à ermida na qual está a imagem da padroeira de Minas, Nossa Senhora da Piedade, e desfrutar do patrimônio ambiental, paisagístico, histórico, cultural e espiritual no topo do maciço.

Dentro de quatro meses, deve entrar em operação a Locomotiva da Piedade, composição sobre rodas que sairá da Praça Antônio da Silva Bracarena, mais conhecida como Praça da Cavalhada, chegando até a área do santuário, no total de três quilômetros. A iniciativa é da Arquidiocese de Belo Horizonte, que vai bancar os custos do projeto.


“Só no ano passado, recebemos cerca de 500 mil pessoas na Serra da Piedade, e em muitas datas o número de carros chega a quase mil. Essa é uma forma de melhorar a mobilidade e não prejudicar o meio ambiente”, afirma o arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo. Ele participou ontem de encontro com autoridades estaduais para tratar do Caminho Religioso da Estrada Real (Crer), que liga o Santuário de Nossa Senhora da Piedade a Aparecida (SP), casa da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida.

No ano que vem, serão lembrados os 250 anos de peregrinação à Serra  da Piedade e três séculos do aparecimento da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida nas águas do Rio Paraíba do Sul, estando prevista a visita do papa Francisco às duas celebrações.

Durante a reunião de ontem no Palácio Cristo Rei, em BH, o secretário estadual de Turismo, Ricardo Faria, adiantou que o governo mineiro vai investir cerca de R$ 2,6 milhões no Crer. “Estamos retomando o projeto, prioridade para a atual administração”, disse Faria. Ele explicou que os recursos serão aplicados em atividades de promoção e divulgação da rota, que passa por 33 municípios mineiros, e outras questões referentes a infraestrutura, incluindo sinalização, alteração de traçado, tecnologia e outros aspectos para facilitar a vida dos caminhantes, como segurança.

Faria disse que os técnicos da Secretaria de Turismo estão envolvidos com o diagnóstico do Crer, cujo projeto entrará no próximo orçamento.

“Estamos envolvidos nesse trabalho, principalmente pela celebração, em 2017, dos 250 anos de peregrinação”, afirmou. Ao lado, o líder do governo na Assembleia Legislativa, Durval Ângelo (PT), informou sobre o interesse do governador Fernando Pimentel, em especial quanto à construção da Via dos Peregrinos, que leva do sopé da serra à ermida, em um total de 4,9 quilômetros, além de intervenções na rodovia que leva da BR-381 a Caeté, que tem muitas curvas, e da construção do Museu Maria Regina Mundi (do latim “Maria Rainha do Mundo”).

Segundo ele, haveria ontem um encontro com o governador para tratar do assunto. “Precisamos das planilhas de custo para conversar com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-MG) para as obras”, afirmou Durval Ângelo. O representante do DER, Dirceu Antônio de Carvalho Gomes, informou que já existe um levantamento topográfico completo da Serra da Piedade, e alertou para a urgência de prazos, tendo em vista o período de Olimpíada e, depois, as eleições municipais.

EM PRODUÇÃO Um dos maiores entusiastas da Locomotiva da Piedade é o reitor do Santuário de Nossa Senhora da Piedade, padre Fernando César do Nascimento. Ele lembrou que é grande o número de visitantes nos fins de semana, chegando a 10 mil pessoas, o que deverá aumentar nesta época do jubileu, iniciado na semana passada. Para reduzir os impactos, já está sendo tomada uma medida diferente nos domingos, feriados e em datas de programação especial: os visitantes deixam o carro na Praça da Cavalhada e sobem a pé ou de van, pagando R$ 2 por viagem. “No domingo passado havia 960 carros no alto da serra”, disse o reitor, lembrando que o tíquete na locomotiva não será gratuito.

 

 

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