Jornal Estado de Minas

Minas registra 40º tremor, desta vez em Matozinhos

A Região Metropolitana de Belo Horizonte sofreu novo abalo sísmico, que já chega ao 40º evento em Minas Gerais neste ano. Desta vez, um tremor de terra de 2,2 graus na Escala Richter foi registrado pelo Observatório Sismológico da Universidade Nacional de Brasília (UNB), às 19h35 desta terça-feira, em Matozinhos, a 51 quilômetros de Belo Horizonte, onde outros quatro abalos já ocorreram neste ano e por isso a prefeitura chamou especialistas, sobretudo para identificar riscos e orientar a população. A terra sacudiu a cerca de 2 quilômetros de profundidade e o abalo foi sentido em todo município, de acordo com a Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (Comdec). Os relatos da população são de que o ruído provocado pelo evento geológico foi semelhante ao de um trovão.

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Os testemunhos de moradores sobre o fenômeno se concentraram nos bairros Vista Alegre, Conjunto Vitalino, Araçás, São Cristóvão e Cruzeiro. Segundo a Condec este é o quinto evento sísmico sentido na região desde março. "Estão se tornando muito frequentes esses tremores aqui na região, entre Matozinhos e Sete lagoas, por isso muitas pessoas estão se acostumando e seus corpos nem sequer sentem os abalos menores, abaixo de 3 graus, por exemplo", disse o coordenador da Condec, Rogério Ribeiro. Segundo ele, a prefeitura local trouxe uma equipe ligada ao Centro de Estudos Geológicos de Brasília para estudar esses efeitos. "Tenho apenas a preocupação de que isso possa gerar pânico, já que os especialistas que foram chamados e vieram aqui garantem que para causar danos maiores só com abalos acima de 5 graus", reforça o coordenador.

A dona de casa aposentada Benvida Pinheiro da Silva, de 86 anos, conta ter se assustado todas as cindo vezes que a terra tremeu em Matozinhos, por isso ela se lembra exatamente de cada momento. "A primeira vez foi de madrugada. Outra foi bem cedo. Estava com o copo de café na porta de casa, quando começou a tremedeira. A gente fica assustada, porque não sabe o que é isso nem o que devemos fazer. Então eu pego Deus e rezo. Fico com receio de ferrar no sono e alguma coisa cair em cima de mim, o telhado da casa", disse a mulher que vive há 50 anos na cidade e nunca tinha visto algo assim na sua vida.

O estudante Marcos Paulo de Oliveira, de 14, conta que estava dormindo quando sentiu o tremor de terra e que a família procurou abrigo. "Acordei assustado. Achei que que era um terremoto e por isso procureio  meu pai. Estava todo mundo de casa acordado, assustado e ent~çao fomos todos para debaixo do marco da porta para nos proteger", lembra. Segundo o adolescente o abalo durou apenas alguns instates, mas provocou muito barulho. "Atrás aqui de casa tem uma mineradora. Aí, o barulho parecia aquelas dinamites que explodem na mina. Depois disso a gente ficou acordado", afirma.

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Segundo estudos do professor Lucas Vieira Barros, do Obsis, os abalos podem estar ocorrendo com frequência nessa região devido a uma falha geológica, um assentamento do solo numa zona de fraqueza. O professor João Roberto Barbosa, da Universidade de São Paulo (USP), que é parte do Centro de Sismologia e também estudas os fenômenos, calcula que a falha geológica causadora desses abalos esteja entre Esmeraldas e Betim. O maior tremor registrado neste ano ocorreu em Esmeraldas, no dia 2 deste mês, e chegou a 3,7 graus, também sem deixar prejuízos consideráveis ou vítimas.