Obras da Via 710 surpreendem moradores ao revelar novas vistas da Serra do Curral

Oportunidade de admirar o visual cria mirantes informais no Bairro Santa Inês, Região Leste de Belo Horizonte

Gustavo Werneck
Beatriz Grangê deu uma pausa na correria diária para apreciar o novo ângulo do maciço que inspirou o nome da cidade. Como ela, muitos se surpreendem com a vista descortinada pela abertura de espaço para obras - Foto: Túlio Santos/EM/DA Press
A cidade cresce, novos ângulos aparecem e a população começa a admirar horizontes há décadas encobertos. Quem caminha diariamente pela Avenida José Cândido da Silveira, por lazer ou necessidade, já pode avistar a Serra do Curral, sem obstáculos, devido à obra de implantação da Via 710, que fará a ligação direta entre as regiões Leste e Nordeste e vai unir as avenidas dos Andradas e Cristiano Machado, sem passar pelo Centro. Mesmo com homens e máquinas trabalhando a todo vapor, trechos do Bairro Santa Inês, na Leste, começam a se tornar mirantes informais, com muita gente parando para contemplar o símbolo de Belo Horizonte.

No início da tarde de ontem, quando retornava a pé do serviço para casa, a atendente Beatriz Grangê, moradora do Bairro Ipê, na Região Nordeste, se surpreendeu com o panorama visto de um pontilhão na José Cândido da Silveira, ainda protegido por telas de segurança. “Passo por aqui todos os dias, mas numa correria tão grande que nem tinha percebido. Ficou uma paisagem muito bonita, realmente um novo horizonte de Belo Horizonte. Acho que vou passar a olhar com mais atenção, pois dá para ver uma cidade cheia de contrastes”, disse Beatriz.

Nesse ponto do Bairro Santa Inês, na divisa com o Cidade Nova, dá para ver não só o maciço, com as antenas no topo, como também o chamado Paredão da Serra. É possível também visualizar os aglomerados subindo pelas encostas, o movimento de passageiros na estação de metrô Santa Inês, as ruas Conceição do Pará e Gustavo da Silveira e a copa das árvores do Museu de História Natural e Jardim Botânico da Universidade Federal de Minas Gerais. Olhando cada detalhe, embora as intervenções possam surpreender no futuro, a impressão é que foram retiradas cortinas urbanas, deixando à vista um cenário completamente desconhecido.

BONITO Residente no Bairro Santa Inês, Júlio dos Santos, de 64 anos, faz sua caminhada diária no parque linear que é a José Cândido da Silveira, avenida com início na Cristiano Machado e término no trevo do município vizinho de Sabará, “Temos agora uma bela vista daqui”, comentou, ontem, por volta das 14h, debruçando-se sobre uma grade do viaduto.
Júlio se lembrou da plantação de eucaliptos que havia na margem, e de construções das quais ficaram apenas as marcas dos alicerces.

Numa corrida acelerada, um homem interrompe o exercício um minuto para dar sua visão dos fatos: “Está ficando muito bom, mas nunca sabemos o que vem pela frente. Pode ser que amanhã tudo isso desapareça novamente e o cartão-postal tão querido dê adeus. Obra pública é sempre problemática, agrada a uns e atrapalha a vida dos outros. Agora, se está legal, vamos dar um crédito”. Sentados num banco, dois senhores na faixa dos 70 anos comentam que uma obra de engenharia desse tipo, há alguns anos, seria impossível. “Mas, hoje, é assim: os caros mandam em tudo”, observa um deles.

De acordo com a Prefeitura de Belo Horizonte, serão construídos dois viadutos paralelos sobre a Avenida José Cândido da Silveira, no cruzamento com a Via 710, para dar vazão ao trânsito nos dois sentidos. Os técnicos informam que “o novo corredor será uma via de alta capacidade, com aproximadamente cinco quilômetros de extensão”.

RECURSOS

A obra da Via 710 está sendo executada pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), com investimento de R$ 71 milhões provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Segundo a PBH, outros R$ 150 milhões – nesse caso, recursos próprios da prefeitura – estão sendo empregados em desapropriações e remoções para viabilizar a construção..