Obras, só depois das chuvas

Falta de recursos adia intervenções para evitar alagamentos na Grande BH

Ações que visam sanar problemas em áreas de risco de cidades da Região Metropolitana devem terminar apenas após o período crítico

Márcia Maria Cruz
Deslizamentos de terra ocorreram já comas primeiras chuvas de janeiro em Sabará, na Grande BH: município ainda busca recursos estaduais e federais para realizar obras de contenção e drenagem necessárias - Foto: Edésio Ferreira / EM / D.A Presss - 18/01/2016
A expectativa das chuvas neste mês de março, que fecham o verão, traz também o temor de desabamentos em cidades mineiras. Muitos dos problemas poderiam ser evitados com intervenções urbanas pontuais. No entanto, os cidadãos poderão esperar até um ano para ver projetos saírem do papel. O Estado de Minas entrou em contato com as secretarias de obras de Sabará, Contagem, Betim e Sarzedo para saber em que pé estão obras que podem evitar alagamentos, deslizamentos e outros problemas relacionados às chuvas. Readequação dos prazos e falta de recursos são alguns dos problemas apontados para que as ações preventivas não tenham sido concluídas.

Obras de contenção e drenagem não foram finalizadas antes do período chuvoso em Sabará, município onde uma menina de 8 anos morreu arrastada pela enxurrada em 27 de fevereiro. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, esse foi o primeiro município a decretar estado de emergência devido aos deslizamentos de encostas causados pelas chuvas deste ano. General Carneiro, Fátima, Roça Grande são áreas de maior risco na cidade. O engenheiro da Secretaria de Obras de Sabará, Roberto Sanches, informou que o município buscará financiamento junto ao Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e à Caixa Econômica Federal (CEF) para a realização das obras de contenção e drenagem necessárias no município.
“Quando depende de recurso federal, há um pouco de dificuldade, o país está passando por situação delicada.” O engenheiro admite que alguns pontos no município estão sujeitos a alagamentos. De acordo com ele, houve readequação de projetos e planilhas de obras de drenagem financiadas pelo Programa de Aceleramento do Crescimento (PAC). Apesar de as obras não terem sido concluídas antes das chuvas, elas não estão atrasadas.

Em Contagem, a readequação também fará com que as obras sejam entregues depois do período chuvoso crítico. A construção de duas bacias de contenção de cheias deverá sanar parte dos problemas de alagamento. A primeira delas deverá ser instalada embaixo da Praça Rio Volga, na Avenida Francisco Firmo de Mattos. A previsão é de que as obras sejam concluídas entre maio e junho. “Elas foram reprogramadas devido à repactuação com o Ministério das Cidades”, informou a prefeitura. A outra bacia de contenção será construída na Rua Perimetral, atrás da fábrica da Toshiba, próximo à BR-381, no Bairro Bandeirantes. No local, serão investidos R$ 16 milhões, com previsão de início das obras até abril, e prazo de execução em até um ano.

No município, 28 áreas receberão obras de contenção, que totalizam um investimento de R$ 40 milhões. De acordo com a secretaria, outras ações serão realizadas também em Nova Contagem. Estão previstas intervenções nas vilas Beira Campo, Soledade, Estaleiro, Riachinho e Barroquinha, para conter deslizamentos de encostas, que totalizam R$ 12 milhões. Também será realizada macrodrenagem na Avenida Alvarenga Peixoto, Rua Dorinato Lima e Beco Baldrin, no Bairro Amazonas. Com investimento de R$ 5 milhões, serão instaladas galerias de grande porte, com objetivo de conter as inundações na região e facilitar o escoamento da água da chuva.

Em Betim, obras para resolver os problemas com enchentes só deverão ficar prontas para as chuvas do próximo ano.
Segundo a assessoria, dois locais causam preocupação à Superintendência de Defesa Civil. Um deles fica localizado no Bairro Nossa Senhora de Fátima. Quando há fortes e prolongadas precipitações na região de Betim e Contagem, próximas à represa Várzea das Flores, a chuva que deságua no Riacho das Areias causa alagamento no lugar. Outro local é a região do Citrolândia, na Colônia Santa Isabel.

PREVENÇÃO  A prefeitura adotou também outra medida de prevenção a alagamentos, como a roçada, limpeza, dragagem e desobstrução do leito dos córregos e dos rios da cidade, além da construção de piscinas (ou lagos) de contenção nas avenidas Marco Túlio Isaac e Imbiruçu. Está  em andamento ainda, obra da calha do Rio Betim, que realizada pelo governo estadual em parceria com a Prefeitura de Betim, para evitar enchentes na região central da cidade. A previsão de término é em dezembro.

Nas últimas chuvas, árvores caíram e dezenas de casas ficaram destelhadas. Devido ao aumento do nível da água do Rio Paraopeba, a Colônia Santa Isabel ficou em estado de alerta.

Em Sarzedo, são cinco pontos de monitoramento constantes. A prefeitura não informou em que pé estão as obras. “O Município de Sarzedo destaca o trabalho conjunto das Secretarias de Planejamento, Obras e Urbanismo, Meio Ambiente e Defesa Civil, onde apresentou obras de impacto nos maiores problemas existentes, a maioria dos pontos destacados como áreas de risco já obtiveram obras preventivas, como ampliação da rede pluvial nos principais pontos de incidências de alagamento.”.