Minas é o estado com maior número de casos de dengue no Sudeste

Quase a metade dos 96.664 casos prováveis da doença na região até 6 de fevereiro se concentraram no estado. Incidência por total de habitantes é a 3ª no ranking nacional

Carolina Mansur
Pacientes com sintomas da dengue lotam os postos de saúde: para especialistas, fim da estiagem está entre as causas da explosão da doença - Foto: Leandro Couri/EM/D.A Press
Minas Gerais liderou o número de casos prováveis de dengue no Sudeste e ficou na terceira posição em todo país em incidência da enfermidade número de habitantes nas primeiras semanas do ano, aponta boletim epidemiológico divulgado ontem pelo Ministério da Saúde, com base em dados apurados até 6 de fevereiro. Dos 170.103 casos prováveis de doença registrados no Brasil, 56,8% estão no Sudeste, com 96.664 registros, dos quais 48.098 em Minas Gerais. Foram 230,5 casos por 100 mil habitantes no estado no período, incidência superada apenas pelo Mato Grosso do Sul (284,9 por 100 mil habitantes) e Tocantins (248,5 por 100 mil habitantes).

Entre os municípios brasileiros com maiores incidências acumuladas por estrato populacional destacam-se duas cidades mineiras da Região do Rio Doce: Campanário, com 6.214,8 casos por 100 mil habitantes e Coronel Fabriciano com 1.617,5 casos por 100 mil habitantes. O primeiro lidera o número de casos entre os municípios com menos de 100 mil habitantes e o segundo, na faixa entre 100 e 499 mil habitantes. O Ministério calcula a incidência nos municípios ainda nas faixas de 500 a 999 mil habitantes e acima de um milhão de habitantes. A capital mineira está no topo dessa última faixa, com incidência 431,1 casos por 100 mil habitantes.

Coronel Fabriciano vive sua terceira grande epidemia, segundo a diretora de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Coronel Fabriciano, Amanda Lacerda. As últimas foram registradas em 2009 e em 2013. Neste ano, além das confirmações para dengue, quatro grávidas tiveram resultado positivo para zika, além de um paciente não identificado.
Entre as causas para a epidemia, ela destaca a combinação de chuva e calor e a dificuldade da população em cumprir o seu papel, fiscalizando suas próprias residências e eliminando criadouros do mosquito.

A situação epidemiológica do município, segundo a diretora, é acompanha desde o início do verão, período em que há aumento significativo dos casos e os profissionais da assistência são acionados, para que todas as notificações sejam feitas e nenhuma informação fique escondida. O resultado do grande número de notificações tem sido encaminhamentos mais rápidos. “Montamos nossa unidade de hidratação no início de fevereiro, estamos com o carro fumacê e começamos a notar queda das notificações nesses bairros”, conta. Outro avanço é a resposta rápida para exames de sorologia de dengue e para isolamento viral, que detecta infecção por zika vírus.

O médico infectologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais Unaí Tupinambás explica que a explosão de casos já era esperada para este ano. Um montante menor de casos de dengue no ano passado e o fim da estiagem seriam as causas. “O número de pessoas suscetíveis a ter dengue foi maior este ano porque não tivemos epidemia ano passado”, diz. “As pessoas que tiveram dengue 1 este ano, não serão contaminadas pelo mesmo vírus no ano que vem”, esclarece. O pico da doença, no entanto, é aguardado para março e abril, época das chuvas intensas e aumento dos criadouros. O alívio, vem no fim de abril ou meados de maio, junto com a chegada do outono. “O mosquito não gosta de seca e frio”, comenta.

Procurada, a SES-MG informou que vários fatores influenciam neste resultado, como índice de chuvas, população suscetível, desastres naturais, baixo envolvimento da população na rotina de vistorias, além de outros fatores. Para o ano de 2016, o orçamento aprovado para as ações que envolvem vigilância epidemiológica e ambiental soma R$ 82 milhões.

Registros de zika também disparam

Boletim epidemiológico divulgado ontem pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) mostra disparada ainda maior nos casos de dengue. Nos dois primeiros meses do ano, são 124.729 casos prováveis de dengue em Minas Gerais.

Em janeiro, foram 63.889 e em fevereiro, 60.840 casos. Treze óbitos foram confirmados pela SES-MG.
Cinco deles em Juiz de Fora, quatro em Belo Horizonte, além de um óbito em Divinópolis, um em Bicas, um em Espera Feliz e outro em Patrocínio.

A Secretaria Municipal de Saúde de Juiz de Fora, no entanto, confirmou, na terça-feira, a oitava morte por causa da doença neste ano. No total, 38 óbitos suspeitos de dengue são investigados em Minas.

Outra preocupação é o avanço dos casos de zika em investigação, que passaram de 303 para 755 em uma semana. O número de gestantes com doença aguda pelo zika saltou de 14 na última semana para 30.

Enquanto isso...morte é investigada

Wesley Gomes Martins, de 31 anos, pode ter sido a primeira pessoa a morrer de dengue neste ano em Contagem. Segundo post no Facebook, ele morreu na sexta-feira, após passar pela Unidade de Pronto Atendimento Juscelino Kubitschek (UPA JK). A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Contagem confirmou que ele deu entrada na UPA JK, às 23h de quinta-feira, com febre e dor no corpo e nas costas, recebeu hidratação e analgesia e permaneceu em observação até a manhã seguinte, quando deixou a UPA, contra a orientação do médico. Ele foi para a UPA Centro-Sul, em BH, onde deu entrada com suspeita de dengue e leptospirose, e terminou morrendo..