A Polícia Civil de Araxá, no Alto Paranaíba, prendeu nesta terça-feira Yuri Santiago Borges, procurado pelo assassinato do empresário Higor Humberto Fonseca de Sousa, de 26 anos, e da mulher dele, a estudante Rafaela D'Eluz Giordani, de 21, em 23 de janeiro. Os dois foram mortos a facadas dentro de casa e o crime chocou a cidade. Yuri foi preso na casa de um primo, na periferia de Uberlândia. Quando a polícia chegou estava escondido dentro de um guarda-roupa. Segundo o delegado responsável pelo caso, Sandro Negrão, desde que identificada a autoria do crime, na semana passada, os policiais passaram a rastrear pistas de Yuri, até obterem a informação de que estaria na casa do primo, em Uberlândia.
Ao ser encontrado, Yuri não ofereceu resistência, mas afirma, segundo o delegado, que é inocente. Ele foi conduzido para o presídio de Araxá, onde ficará preso por 30 dias, contados a partir desta terça-feira. A polícia pretende ouvi-lo nos próximos dias, se possível, ainda nesta quarta-feira.
Conforme Sandro Negrão, para a polícia nada mudou em relação ao apurado das circunstâncias que levaram ao crime. "Eles entraram para roubar. O Higor reagiu e entrou em luta corporal com um deles e tirou o capaz que escondia o rosto, identificando-o. Então decidiram que tinham que matá-lo. E só usaram a faca porque o revólver não funcionou", observa o delegado, lembrando que a faca usada para matar o casal era da residência.
Dois homens e dois adolescentes já estavam detidos pelo crime. O advogado de I.R.S, de 18 anos, que é ex-funcionário de Higor e um dos presos, informou à reportagem do Estado de Minas que o cliente dele confessou o crime, mas afirmou que a intenção do grupo era furtar a casa. “Os outros venderam a informação que a casa estava vazia e que os moradores estavam viajando. A ideia era furtar. Ele foi apenas o transportador do grupo. De moto, ele fez três viagens para levar os outros indivíduos até a casa”, explica Daniel Coutinho da Silva.
De acordo com o defensor,o rapaz recebeu R$ 500 pelo serviço. “Quando ele ouviu os gritos vindos da casa, foi embora.
Silva disse, ainda, que outros conhecidos do empresário participaram do crime. “Um dos homens presos era muito amigo da vítima e teve uma desavença feia com ele”, comentou. Segundo versão apresentada pelos detidos ao advogado, quando houve a invasão na casa Higor teria reagido e por isso foi morto.
Na semana passada, quando uma caminhonete que pertencia às vítimas foi encontrada em Uberaba, no Triângulo Mineiro, o delegado regional de Araxá, Cezar Colombari, divulgou informações que foram confirmadas pela assessoria da polícia, ratificando o sucesso da investigação e a confissão dos envolvidos, o que garante a tese de roubo seguido de morte. Segundo o policial, três pessoas entraram na casa e Higor reagiu. O empresário teria conseguido, inclusive, tomar uma arma de fogo da mão de um dos assaltantes. Ele tentou atirar, mas o revólver falhou.
“Então, ele acabou sendo rendido e ele e a mulher foram mortos a facadas. A quantidade de facadas foi em decorrência disso, a raiva dos assaltantes. Estavam todos sob efeito de drogas, segundo informações”, disse o delegado. O policial informou ainda que duas motocicletas que foram usadas para dar suporte e conhecimento da área também foram apreendidas, assim como uma faca que teria sido usada no crime.
(Com informações de Guilherme Paranaíba e João Henrique do Vale).