O ano que acabou foi difícil para boa parte dos habitantes do planeta.
A professora aposentada da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Cristina Guedes e sua amiga, a engenheira química Yrlene Cherques, não reclamam do ano que passou. Ao contrário, só querem saber de comemorar.
O mastologista e cirurgião do câncer Leandro Ramires, do Hospital das Clínicas, é pai de Benício, de 7 anos, portador da síndrome de Dravet, forma severa de epilepsia refratária, na qual a maioria dos pacientes não passa da primeira infância. Em 2015, porém, graças ao uso do canabidiol e das conquistas pouco a pouco alcançadas na luta pela liberação da substância derivada da maconha para o tratamento da epilepsia e outras doenças, Benício ganhou muito em qualidade de vida. “Por causa das crises, Beni era internado em regime de urgência 12 vezes por ano. Em 2015, isso ocorreu somente uma vez. Ele, que tem um quadro de autismo grave, já começa a interagir, aprender a se vestir e a manipular os talheres”, diz o médico, comemorando os avanços na saúde do filho.
OÁSIS
Para a dramaturga mineira Silvia Gomez, natural de Lavras, no Sul de Minas, o ano que passou foi sensacional, em que pese os solavancos no mundo e no Brasil. Ela estreou a peça Mantenha fora do alcance do bebê em junho de 2015, premiada no ano anterior pelo Centro Cultural São Paulo, um espaço multidisciplinar de cultura na capital paulista. O espetáculo lotou diariamente o teatro da instituição, que tem mais de 300 lugares, e ela foi premiada pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) na categoria autor/dramaturgo, além de ter sido indicada ao Prêmio Shell de Teatro.
O trabalho foi traduzido para o espanhol, francês, inglês, sueco, italiano e agora está sendo vertido para o mandarim. Além disso, foi convidada para um projeto em Edimburgo, na Escócia, onde ficou por duas semanas. Para quem tinha vergonha de mostrar seu trabalho mais recente, foi um ano estupendo. “Voltei, ganhei o APCA e somente ser indicada para o Shell já é um prêmio. Tinha vergonha de mostrar a peça, mas as coisas foram acontecendo”, revela. O ano de 2015 ensinou à dramaturga que é preciso enfrentar. “Às vezes, a gente tem medo de ir atrás das coisas nas quais acredita, deixa para amanhã, deixa para outro dia. Mas é preciso enfrentar e fazer. O resultado pode ser bom ou não, mas é preciso fazer”, acredita.
Para a médica recém-formada Laura Elias, apesar de 2015 ter sido um ano difícil, também houve muito a comemorar.
REBENTOS
A empresária Fabiana Nicolau do Carmo Brasil Figueiredo engravidou em 2015 e levou um susto ao saber que seu primogênito teria duas irmãzinhas gêmeas – e univitelinas. “Nosso projeto era ficar em dois filhos, mas aí descobri que estava grávida de gêmeos. Meu marido quase caiu da cadeira, todo mundo dizia que seria muito complicado, mas as coisas estão tranquilas”, diz a empresária, que não tem empregada doméstica nem babá, e conta somente com a ajuda da mãe e do marido. “Como empresária, foi um ano difícil, mas tudo mudou com a alegria da chegada das meninas”, resume.
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