Se 2015 é um ano que para muitas pessoas deveria terminar logo, a data tornou-se memorável para a estudante de direito Amanda Campos Fontenele, de 21 anos, natural de Fortaleza. Para sempre será lembrado na história pessoal de Amanda como sendo “o ano em que ela se apaixonou por BH”, descrita assim mesmo, informalmente, como Beagá, tal qual Ceará. Paixão não se explica. Vive-se! Pois Amanda encantou-se com “os bares sempre abertos, a vida boêmia, as praças arborizadas, o Mercado Central, o melhor pão de queijo, o doce de leite, museus e pessoas andando nas ruas até tarde da noite – são detalhes que fazem a capital mineira ser única!”
Um dia antes de partir, em 15 de novembro, Amanda enviou ao www.portaluai.com.br a sua declaração de amor à capital mineira, acrescida de um coração: “O ano valeu a pena só em ter ido aí”. Não tem aquela história de “o melhor do Brasil é o brasileiro?” “Pois é. Do Brasil todo eu não sei, mas de BH é o povo mineiro, sem sombra de dúvidas. Não é a crise política do país que vai afetar o seu povo, independentemente de qual seja. O bom humor, a simplicidade, simpatia e o carisma do mineiro continuarão (e por favor continuem mesmo), apesar dos contratempos”, alertou a estudante, sem deixar nada a dever em simpatia e carisma aos mineiros.
Com olhar de forasteira, Amanda enxergou durante uma semana em BH, onde participou de um congresso de pesquisadores em direito, sensações que poderiam passar despercebidas aos belo-horizontinos da terra, nascidos nesta jovem cidade de 118 anos.
Com este jeitinho fortalezense de dizer, Amanda, você iria repetir o “lindo, mas tão lindo” para o novo carnaval de Belo Horizonte, que vem atraindo mais de 1,5 milhão de foliões puxados pelo batuque dos mais de 200 blocos de rua da cidade. Há quem diga que eles nasceram do Praia da Estação, na Região Central da cidade, para onde universitários se dirigem em dias de sol, de maiôs e sombrinhas de praia, para beber uma cerveja e conversar. É preciso avisar também, Amanda, que Minas Gerais ainda não tem praia, apesar de uma ponta redescoberta ao Sul da Bahia, que andamos reivindicando em 2015. “Besteira de ter praia! Ninguém vive só de mar. Vocês conseguem ter coisa boa o tempo todo”, garante a estudante do 7º ano da Faculdade 7 de Setembro, que participa do coletivo Labuta, que pesquisa o mundo do trabalho.
BOEMIA
Por sorte, Amanda não teve tempo de conhecer o inacabado metrô de BH, que nada mais é do que um trem de superfície (também, em terra de mineiro, está pensando o quê?). Tampouco experimentou o novo sistema de ônibus (nenhum dos dois contempla a Região Sul da cidade). “Andei muito a pé, o que me deu a chance de conhecer boa parte da Savassi. A noite de BH também supera todas. A vida boêmia, os barzinhos, os garçons simpáticos, gente andando na rua em número muito maior do que em Fortaleza, onde vivo”, reparou a estudante, que se hospedou em um hostel localizado na Avenida Getúlio Vargas. Inspirado nos albergues estudantis, o modelo de hospedagem econômico e de quartos coletivos saltou de 13 para os atuais 25 depois da Copa de 2014.
“Se você preferir fazer sua comida vegana na cozinha, poderá compartilhar a experiência com um gringo ou vice-versa”, explica o dono do Adrena Sport Hostel, Pedro Leite, de 34. Ele estimula a prática dos esportes de aventura pelos hóspedes. “Para os skatistas acabam de ser inauguradas a pista de half pipe do Parque das Mangabeiras e a pista de street da Lagoa do Nado, em BH.
Promessa de voltar Com o tempo corrido em função das palestras, Amanda Campos Fontenele fez questão de tirar fotos dos prédios da Fumec e da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), além do Cine Theatro Brasil, com a Praça Sete ao fundo, onde ocorreu a abertura do congresso. Seu melhor momento foi quando “teve tempo de sair sozinha, meio sem rumo, em BH”. De lá saiu a principal recordação, que enfeitou a capa do Facebook de Amanda durante todo o resto de 2015. É um muro grafitado por Rogério Fernandes, relembrando a Padaria Savassi, que deu origem ao nome da região. No mesmo dia, Amanda aprovou uma pão de queijaria, a mais recente moda da Beagá, ao lado dos food trucks, paletas mexicanas e casas de sucos. E então, Amanda, gostou do pão de queijo de Minas? “Em Fortaleza, temos os congelados do supermercado. Mas o pão de queijo de vocês é TOTALMENTE diferente! É tão bom”.
Ao que parece, Amanda terá como promessa de ano-novo voltar a BH para realizar todos os sonhos esquecidos no meio do caminho da Savassi, com pedras portuguesas. “Quem me dera!”, respondeu a jovem, por e-mail, imediatamente, quase dando para ouvir, do lado de cá, seu suspiro ecoando entre as nuvens da internet.