Um almoço regado a boa música, com muita dança, animação e alegria, sentimentos que marcam as festas de fim de ano. Assim foi o sábado pós-Natal de 87 idosos que moram na Casa do Ancião Chichico Azevedo, na Cidade Ozanam, vila popular do Bairro Ipiranga, Nordeste de Belo Horizonte. Organizado desde 2003, o almoço é promovido pela servidora do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) Maria de Jesus Rodrigues, que encontrou em Ozanam a possibilidade de fazer o bem em uma data tão especial. “Minha intenção era encontrar um lugar em que eu pudesse ajudar. Tive a indicação de uma advogada que me apontou o lar de idosos aqui de Ozanam e desde então faço duas festas todo ano”, afirma Maria de Jesus. Uma acontece em junho, juntando a Páscoa, Dia das Mães e festa junina, e a outra no final do ano, quando é comemorado o Natal e o encerramento do ano. “O que me incentiva é fazer o bem e por isso estamos aqui há 12 anos”, diz.
O evento começou com um almoço, que manteve os idosos sentados e tranquilos saboreando a refeição. Mas a partir do momento em que eles iam terminando, a música era a senha para alguns começarem a dançar.
Uma das coordenadoras da casa, Doralice de Almeida Araújo, aprova a movimentação, que contribui para lembrar a condição de protagonistas dos idosos. “Quando o pessoal chega, eles logo já pensam que lá vem festa e ficam animados. É um dia em que eles voltam a ser jovens e muito importante para trazer um pouco de cultura”, diz Doralice. Na parte musical, o seresteiro Marcelo Ferreira, que faz parte do grupo Seresteiros Amigos de JK, foi um dos que conduziu a festa. “Eu tenho o costume de levar música uma vez por semana a diferentes asilos, para fazer a festa dessas pessoas que precisam”, diz Marcelo. Outro que também agitou a parte musical foi o músico Mauro Silva, que participa pela quinta vez da festa. Ele substitui o irmão Valdir Silva, falecido em 2013 e que marcava presença em todos os anos da comemoração.
Há oito anos no asilo, Cassimira Gondos, de 90, apesar de não se levantar para arriscar alguns passos, mexia as mãos e cantarolava as canções mais famosas, dando pistas de que estava empolgada com a festa. “Melhora a vida da gente em um momento que normalmente tem que ser cheio de alegria, não é? E assim vai ser enquanto estivermos aqui”, afirma a idosa.
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