A falta de confirmação da relação entre os 11 casos de microcefalia em bebês recém-nascidos, registrados em Minas desde 11 de novembro, e o zika vírus preocupa especialistas. “O desconhecido gera o pânico”, afirmou o presidente da Sociedade Mineira de Infectologia Estêvão Urbano. Ele defendeu a necessidade de monitoramento contínuo para identificar a possível chegada do vírus ao estado, informação que pode ser dada a partir do resultado dos exames de sangue nos casos suspeitos. Nessa sexta-feira, o Ministério da Saúde alterou a medida para a triagem e identificação de bebês possíveis portadores de microcefalia. A medida da cabeça (perímetro cefálico) passou de 33 centímetros para 32. Os 11 casos estão sendo monitorados pela Fundação Ezequiel Dias (Funed).
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De acordo com o ministério, a mudança da medida do perímetro cefálico está em acordo com a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e consta do Protocolo de Vigilância e Resposta à Ocorrência de Microcefalia Relacionada à Infecção pelo zika vírus. Em nota, o órgão afirmou que o primeiro parâmetro foi adotado diante do aumento inesperado e inusitado dos casos de microcefalia em recém-nascidos, atribuído ao zika vírus. “A iniciativa teve como objetivo incluir um número maior de bebês na investigação, visando uma melhor compreensão da situação.”
O neonatologista e coordenador do curso de urgência e emergência da Sociedade Mineira de Pediatria, Leonardo Mourão, lembrou que a medida não pode ser considerada o único critério para diagnosticar casos de microcefalia. É muito frequente casos de bebês pequenos considerados pequenos para idade gestacional.
CIRCULAÇÃO Até o dia 28, o Ministério da Saúde havia recebido 1.248 notificações de casos suspeitos em 311 municípios de 13 estados e no Distrito Federal. Em Minas, está sendo estudada a relação do zika vírus com 11 casos notificados e essas ocorrências não constam no balanço do órgão. “Os casos que nós estamos investigando são os confirmados de microcefalia. O que estamos investigando é qual evento causou a microcefalia, se foi um processo infeccioso, uso de substâncias químicas ou um processo genético”, afirmou o superintendente de Vigilância Epidemiológica, Ambiental e Saúde do Trabalhador da Secretaria de Estado da Saúde, Rodrigo Said. De acordo com o Ministério da Saúde, a nova medida visa agilizar os procedimentos clínicos, sem descuidar dos bebês que fizeram parte da primeira lista de casos notificados.
A Secretaria de Saúde afirmou que, em Minas Gerais, não foram confirmados casos de microcefalia associados ao zika vírus e que não há, até o momento, circulação do vírus no estado..