Sobreviventes da tragédia de Mariana recorrem ao atendimento psicológico para enfrentar o trauma, enquanto parentes de desaparecidos não conseguem driblar a angústia.
A cabeleireira Marlene Martins, de 40 anos, conta que sua mãe e dois irmãos, que perderam tudo no distrito de Santo Antônio de Pedras, em Mariana, não conseguem parar de chorar. "Tivemos que levar meus dois irmãos ao psicólogo. Eles perderam tudo. A única preocupação deles na hora foi com a minha mãe que tem 86 anos e tem dificuldade de andar. Meu irmão não para de repetir o que viu quando fugia e olhou para trás. O mar de lama levava os bois, as galinhas e oito cachorros. Toda a criação foi embora.
Leia Mais
"Meu filho, ai meu filho!", diz mãe de Tiago ao ver o corpo do filho após liberado para velórioObras em barragem são 'para reforçar segurança das paredes', diz presidente da SamarcoSamarco terá que arcar com medidas de emergência em Governador ValadaresBombeiros reviram os destroços na procura de vítimas em MarianaTragédia em MarianaMissa em intenção às vítimas da tragédia reúne multidão na Praça da Sé, em MarianaArcebispo dom Geraldo Lyrio Rocha celebra missa pelas vítimas de tragédia em MarianaParentes de desaparecidos também reclamam da falta de informações. Dois irmãos e duas filhas de Daniel Altamiro de Carvalho, de 53 anos, reclamam que são impedidos até de fazer reconhecimento de corpos no Instituto Médico Legal. Daniel é funcionário da Integral, que presta servicos à Samarco, e que foi levado pelo mar de lama da barragem que estourou.
A família de Milton é de Mariana e ele conta que a última semana tem sido um pesadelo acordado para todo mundo. "Ninguém dorme ou come direito. Só chora", conta. Ele, outra irmã de Daniel e as duas filhas do desaparecidos, de 18 e 21 anos, não param de olhar a todo momento a lista dos quatro corpos não identicados que estão no IML, um deles no IML da capital. "Tudo de bom o meu irmão tinha.
Mas uma semana depois da tragédia, bate o cansaço e diminuem as esperanças. "Os primeiros dias foram de desespero. Depois, a gente vai perdendo as forças e também as esperanças", lamenta Aline Ferreira Ribeiro, de 33 anos, mulher de Daniel Vieira Alvim, primeiro da lista dos desaparecidos. Ele é funcionário da Geocontrole Sondagens e prestava serviços para a Samarco na hora da tragédia. Samuel é de Justinópolis, em Ribeirão das Neves, Grande BH, e cinco pessoas da família estão em Mariana desde a última sexta-feira em busca de notícias.
A mãe de Samuel, Maria Nilza Vieira Alvim, de 56 anos, chegou em Mariana às 23h de quinta-feira, no mesmo dia da tragédia, e passa o dia todo no posto de informações montado em uma faculdade. "Uma dor muito grande. Meu filho tem quatro filhos e a mais nova, de 4 anos, não para de me pedir para eu levar o papai dela de volta", chora a dona de casa.
VOLUNTÁRIOS Na tentativa e amenizar tanta dor, voluntários viajam quilômetros para ajudar famílias vítimas da tragédia em Mariana.
Elza conta que ficou muito emocionada com a dimensão da tragédia e decidiu ajudar as pessoas a organizarem as suas vidas. "Reconforta o meu coração. Mais do que isso é saber que eu posso ajudar essas pessoas a ter acesso aos seus direitos", disse a assistente social. A prefeitura de Mariana estima que mais de mil voluntarios já se apresentaram para ajudar..