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Estado de Minas

Especialistas temem que falta de chuva prejudique retirada de água do Paraopeba

Nova captação de água para a Grande BH está 70% concluída e deve terminar em dezembro, mas especialistas temem que a escassez de chuva prejudique solução projetada pela Copasa


postado em 20/10/2015 06:00 / atualizado em 20/10/2015 07:27

Intervenções às margens do Paraopeba estão dentro do cronograma, mas temor de representantes da bacia hidrográfica é de que chuvas fiquem abaixo da média, afetando outros usuários e a própria vazão planejada(foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)
Intervenções às margens do Paraopeba estão dentro do cronograma, mas temor de representantes da bacia hidrográfica é de que chuvas fiquem abaixo da média, afetando outros usuários e a própria vazão planejada (foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)

Faltando exatos dois meses para a conclusão da obra de captação emergencial de água do Rio Paraopeba para tentar resolver a crise de abastecimento na Região Metropolitana de BH, a contagem regressiva já começou em duas vertentes. Por um lado, no que diz respeito aos trabalhos, a Odebrecht Ambiental, empresa responsável pela construção, diz que 70% das intervenções estão prontas. Já em relação à expectativa da chuva, há um temor de especialistas e de integrantes de órgãos da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba de que os 5 mil litros de água por segundo que a Copasa pretende retirar com a nova fonte prejudiquem o manancial, caso a estiagem se prolongue. Na previsão do Instituto Nacional de Meteorologia para os próximos três meses, há probabilidade de chover abaixo da média histórica na maior parte do estado. Em outubro, por exemplo, primeiro mês do período considerado chuvoso na temporada 2015/2016, dos quatro sistemas produtores da Grande BH a maior quantidade de chuva ocorreu no Serra Azul, com apenas 10% da média histórica, faltando 11 dias para o fim do mês.


Nos demais mananciais que também integram o complexo de abastecimento da Grande BH, o percentual foi ainda menor. No Rio das Velhas, por exemplo, choveu apenas 0,8 milímetros, enquanto a média para os 31 dias do mês é de 101,8mm, segundo a Copasa. A curto prazo, meteorologistas prevêm que na quinta-feira pancadas de chuva podem ocorrer na região metropolitana, com possibilidade de durar até domingo, graças a uma frente fria esperada para o litoral de São Paulo, que deve avançar até o litoral do Rio de Janeiro. Enquanto o calor permanece – ontem, a máxima em BH ficou em 30,6 graus – o Sistema Paraopeba (formado pelas represas do Rio Manso, Vargem das Flores e Serra Azul) segue batendo marcas históricas de menor volume. Ontem, a água acumulada no conjunto dos três reservatórios chegou a 23,4%.

O presidente do Consórcio Intermunicipal da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba (Cibapar), Breno Carone, diz que, em caso de estiagem muito prolongada, a captação de 5 mil litros de água por segundo projetada pela Copasa para ocorrer no leito do Rio Paraopeba pode durar pouco tempo. “Corre-se o risco de secar o rio por determinado período. O que reforçamos é a importância de um grande projeto para recuperação de toda a bacia”, afirma. O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba (CBH/Paraopeba), Denes Martins da Costa Lott, afirma que a Copasa apresentou estudos técnicos que demonstram a disponibilidade de água do rio. “Eu confio nos técnicos da Copasa, mas a falta de chuva é preocupante, porque a quantidade de água prevista para ser retirada é muito grande e o rio tem outros usos outorgados que podem ser comprometidos”, alerta. Os dois representantes da bacia lembram que a outorga da Copasa no Paraopeba vale apenas para a estação das águas. A nova captação deve estar pronta em 20 de dezembro, mês historicamente tido como o mais chuvoso em Belo Horizonte, com média de 319,4 milímetros de precipitação.

O doutor em recursos hídricos José Magno Senra Fernandes não crê que a longa estiagem vá se repetir pela terceira temporada seguida na Grande BH, mas não considera esse cenário totalmente improvável – e isso poderia colocar em risco a captação extra. “Esperamos que volte a chover pelo menos próximo da média e, nesse caso, os 5 mil litros de água que a Copasa pretende retirar representam 30% do que é necessário para atender a Grande BH. É um acréscimo substancial para resolver um problema de forma emergencial”, diz o especialista. Para solucionar completamente a questão, a Copasa precisa buscar fontes alternativas, talvez mais longe da capital, segundo o professor. “Cidades como Los Angeles e San Francisco, nos Estados Unidos, consomem água que vem de 450 quilômetros de distância”, exemplifica.

A Copasa informou, em nota, que o volume de 5 mil litros de água por segundo “está de acordo com a capacidade hídrica do Rio Paraopeba no ponto de captação, obtido a partir da análise de séries históricas e estabelecimento da vazão mínima definida pela Q7,10” – índice mais baixo em sete dias consecutivos, durante uma década de medição. “Dessa forma, o manancial tem condições de suprir a retirada”, sustenta a estatal. “Essa intervenção vai viabilizar a distribuição de água para a população da Grande BH, ao mesmo tempo em que permitirá a acumulação nos reservatórios do Sistema Paraopeba para o enfrentamento do período seco”, conclui a concessionária de saneamento.

PLANEJAMENTO Cerca de 150 operários trabalham na construção da captação adicional do Rio Paraopeba, em Brumadinho, na Grande BH, que vai custar R$ 123,1 milhões aos cofres públicos. A medida é uma extensão da parceria público privada (PPP) firmada entre a gestão anterior do governo do estado e a Odebrecht para ampliar a capacidade do Sistema Rio Manso de 4 mil para 5,8 mil litros por segundo. Segundo o gerente de Produção da Odebrecht Ambiental, Fabrício Galdino, a parte de obras civis da nova captação está praticamente concluída, restando principalmente terminar a concretagem de uma das elevatórias. As estruturas destinadas à segunda elevatória, ao reservatório e ao local onde a areia será retirada estão perto de ser finalizadas. “Nos próximos dois meses, o foco maior será na montagem dos equipamentos para operação da captação, como as bombas”, afirma Fabrício.  Dos 6,5 quilômetros de adutoras que vão levar a água da captação até a Estação de Tratamento de Água (ETA) do Rio Manso, 4,7 estão finalizados.

 


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