Jornal Estado de Minas

Comerciantes da Savassi adotam medidas para proteger patrimônio e clientes

Dono de restaurante, José Pereira diz que quase todos na região instalaram portas de aço - Foto: Marcos Vieira/EM/DA Press
Basta entrar em estabelecimentos comerciais da Savassi para tomar conhecimento das histórias de violência ocorridas na região e que as pessoas fazem questão de contar. É o caso de Wilmar Saraiva, de 62 anos, que somente este ano teve sua lanchonete arrombada duas vezes, em março. “A impunidade é responsável por casos como o meu. Vou começar a fechar mais cedo, pois, até agora, foi arrombamento, mas temo por algo pior”, alertou Wilmar. Funcionária da lanchonete, Marcilene Alves, de 52, também tem medo. “Me apego a São Jorge como protetor.Principalmente na hora de fechar, à noite, há sempre uma maior preocupação, pelo tanto de roubos que a gente fica sabendo que ocorre aqui na Savassi”, completou Marcilene.


Já a empresária Misael Martinho, de 58, dona de um instituto de beleza na Rua Paraíba, onde está há 35 anos, conta que adotou medidas extras de segurança. Instalou espelhos nos fundos do estabelecimento para ficar atenta à movimentação do lado de fora. “Aos sábados, quando as portas ficam abertas até 22h, contrato um segurança.
Já tentaram roubar o telefone de uma cliente que aguardava na recepção, durante o dia. Oriento minhas clientes para ficarem atentas quando estiverem próximas da portaria. Sempre que possível, procuramos acompanhá-las até o carro”, explica Misael.

PORTAS DE AÇO
José Pereira, de 59, dono de um restaurante na região, afirma que o quadro de insegurança tem aumentado na região. “Ninguém mais deixa as vitrines expostas à noite, como era comum, quando diziam que aqui era um shopping aberto. Pode observar que depois das 19h todos baixam as portas de aço. Não são poucos os que tiveram seus estabelecimentos arrombados”, garante. 

A gerente financeira Wanderlúcia Oliveira Brito há um ano trabalha em um prédio na Rua Fernandes Tourinho. Para ela, nos últimos três meses, a situação ficou mais crítica.
“Começou a ter mais moradores de rua ultimamente. Saía do serviço às 19h e passava pela Rua Pernambuco, mas agora ando um pouco mais, depois que alguns deles passaram a me intimidar, pedindo dinheiro.”

O recepcionista J., de 45, trabalha há seis anos em um hotel no coração da Savassi. “A situação só vem piorando, principalmente, em relação ao furto em veículos. A gente vê os caras quebrando vidros de carro bem perto e não dá para falar nada. Já vi um com tornozeleira eletrônica, que deve estar em liberdade condicional, furtando objetos dentro de um veículo.” Funcionários e frequentadores de uma academia na Rua Fernandes Tourinho afirmam que todas noite carros são arrombados no local. “Policiamento aqui é coisa rara. Hoje (sexta-feira) tem viatura ali depois que arrombaram a loja do Ronaldo Fraga.”

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