As prostitutas de Belo Horizonte querem aproveitar a madrugada da Virada Cultural, que ocorre neste final de semana, para faturar. Ontem, a presidente da Associação das Prostitutas de Minas Gerais (Aspromig), Cida Vieira, enviou um ofício para a Associação dos Amigos da Rua Guaicurus (AARG), entidade que representa também os proprietários dos hotéis (como são chamados os locais em que ocorrem os programas sexuais no baixo meretrício), pedindo que os estabelecimentos fiquem abertos durante toda a madrugada de domingo.
O horário usual de funcionamento dos hotéis até as 23h, mas a presidente da Aspromig argumenta que, a exemplo do ano passado, o palco da Virada Cultural instalado na Rua Guaicurus deve atrair milhares de pessoas. “A crise é mundial, mas bate na nossa porta também. Por isso, a Virada é uma chance para as prostitutas ganharem dinheiro”, argumenta Cida.
O advogado da AARG, Orlando Januário, explica que a principal dificuldade para os hotéis abrirem excepcionalmente nas madrugadas são os custos, como pagamento de adicional noturno e hora extra para os funcionários. “Pode ser objeto de negociação, mas é difícil”, argumenta. As duas partes combinaram uma reunião hoje para definir sobre o funcionamento dos hotéis durante a Virada.
“Seria bom demais”, acredita a prostituta Alice, que é do Rio de Janeiro e está na capital mineira há três anos. Para usar um quarto do hotel Nova América, na Rua São Paulo, ela paga uma diária de R$ 75. Alice cobra R$ 10 por encontro e chega a fazer até 40 programas por dia.
Para escapar da crise, a prostituta Gigi trocou o tradicional hotel Brilhante, em que pagava uma diária de R$ 240 por outro menos afamado, com a diária de R$ 185. A prostituta, que também é carioca, reduziu o valor que cobrava nos programas, de R$ 40 para R$ 25, e acredita que a madrugada da Virada pode ser boa para recuperar o prejuízo. “Antes eu conseguia ganhar até R$ 800 por dia de trabalho, mas agora consigo no máximo R$ 500”, detalha.
A garota de programa Júlia pondera que a ideia de abrir os hotéis em uma madrugada com a rua movimentada pode ser um transtorno para as prostitutas. “Vai entrar um monte de bêbados e doidões”, alerta Júlia. Outra ponderação que ela faz é que quando os clientes estão muito alcoolizados os programas são mais longos, o que implica prejuízo para a garota de programa. A presidente da Aspromig, Cida Vieira, argumenta que, para os hotéis abrirem na madrugada, será preciso reforçar a segurança.
O palco da Rua Guaicurus será um dos mais movimentados da Virada Cultural. As atrações começam às 19h de amanhã até às 19h de domingo.