Belo Horizonte tem 53 celulares roubados ou furtados por dia, o que dá uma média de mais dois por hora. De janeiro a julho, as ocorrências aumentaram 30,4% na capital mineira em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds). De janeiro dezembro de 2014, foram 15.531 aparelhos levados por criminosos, e, até julho, 8.708. Já nos sete primeiros meses de 2015, foram 11.351.
De acordo com a Polícia Civil, os celulares roubados estão virando “moeda de troca” no consumo de drogas e abastecem o mercado de produtos sem procedência nos shoppings populares. “Grande parte alimenta o tráfico de drogas, e outra parte é reinserida no mercado por meio de receptadores, sendo que alguns desses até atuam em alguns shoppings populares de Belo Horizonte”, afirma o chefe do 3º Distrito Policial do Centro, delegado Marcello de Andrade Paladino.
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Celular é o produto mais visado por ladrões no Centro de BHApenas 5% das vítimas conhece número que pode inutilizar celular roubadoPara César Adriano Mendonça, especialista em tecnologia e coordenador do Projeto Capacitar da Fundação Christiano Ottoni, entidade educacional de apoio à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o celular tornou-se uma “joia”. “Tem aparelho que custa R$ 6 mil, e o ladrão sabe disso.
Segundo o especialista, o número de assaltos e roubos de smartphones aumentou por causa do valor agregado ao aparelho e da facilidade de o ladrão vendê-lo aos receptadores. “Quem rouba tem sempre quem compra. Muitos vendem barato para comprar drogas. A polícia tem feito o que pode para inibir essa prática de crime, porém, o número crescente de menores envolvidos, com idades entre 13 e 17 anos, que são apreendidos e depois soltos, dá a estes uma vantagem que só os anima a praticar mais esses delitos, pois ficam impunes. A partir daí, o crime compensa”, observa o especialista.
ROTA DOS CRIMES Grandes corredores de trânsito também são visados pelos ladrões, como as avenidas Amazonas e Nossa Senhora do Carmo. O empresário e estudante João Paulo Rocha Brant, de 33 anos, sabe disso. Há um mês, ele teve seu aparelho levado por dois jovens armados com faca na Nossa Senhora do Carmo. João conta que estava a caminho da faculdade, por volta das 20h, e foi abordado. “A ação foi rápida. Um deles me mostrou a faca e disse que ela não era para mim, que eu ficasse tranquilo. Entreguei o celular, e eles fugiram”, conta o empresário. João Paulo procurou a base móvel da PM da Praça Diogo de Vasconcelos, na Savassi, mas os bandidos não foram localizados.
Assaltantes também estão de olho no comércio especializado de celulares.
‘DNA’ DO APARELHO Para ajudar no trabalho da polícia, o delegado Marcello Paladino recomenda que as vítimas, ao registrar o boletim de ocorrência, também informem o IMEI do aparelho (para tecnologia Android, iOS e Windows Phone), que é um código numérico para identificar o aparelho e que também serve para inutinizá-lo. O número de IMEI normalmente consta na embalagem do celular, mas é possível também consegui-lo (veja quadro). Esses dados podem ajudar a polícia a prender receptadores de aparelhos roubados e localizar os donos. “É uma falha.