Jornal Estado de Minas

Funcionários do Odilon Behrens acreditam que mudança de setor de emergência pode trazer riscos

Funcionários do Odilon acreditam que mudança poderá trazer riscos para a população - Foto: Jair Amaral/EM/D.A Press
Os tradicionais jalecos brancos dos médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e de laboratório do Hospital Odilon Behrens (HOB), em Belo Horizonte, foram substituídos na manhã de ontem por camisas e calças pretas. Cerca de 100 funcionários do hospital se reuniram em frente ao pronto-socorro usando roupas escuras para protestar contra a transferência do setor de urgência e emergência para a nova Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) Noroeste II, que fica em anexo ao prédio, com entrada pela Rua Saldanha Marinho. Faixas com críticas à atual gestão foram usadas pelos manifestantes, que chamaram a mudança de “upalização”. Eles também levaram um caixão para simbolizar a morte da saúde pública municipal.


O grupo criticou, ainda, a abertura da nova UPA sem a contratação de servidores e denunciou que, desde sexta-feira, o pronto-socorro do hospital não está recebendo pacientes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e que os leitos do setor de urgência e emergência estão vazios. Com a mudança, no espaço onde atualmente é feito o acolhimento dos pacientes em situações mais complexas, ficarão os leitos do Centro de Terapia Intensiva (CTI), que continuará com o mesmo número de vagas. Os gritos de “gestor, sim, feitor, não!” foram engrossados por moradores da Pedreira, que acompanharam o manisfesto.


Um dos porta-vozes do protesto, o médico Leonardo Paixão disse que o objetivo da mobilização é para que eles continuem fazendo o que fazem diariamente: salvar vidas. Com a mudança, que ocorrerá amanhã, segundo ele, haverá perda de 12 leitos para pacientes do centro de urgência e emergência. “Hoje, são 22 leitos no pronto-socorro.

Vão sobrar apenas quatro, e seis serão disponibilizados na UPA, que não tem a estrutura complexa de um hospital para atender pacientes graves. Nossa luta é para garantir a permanência do espaço equipado, com recursos técnicos e humanos, e que está ameaçado com a mudança”, disse Paixão, que é especialista em clínica médica e funcionário do HOB há 12 anos.


O clínico afirmou que não houve reunião da direção do hospital com os funcionários para explicar as alterações e que eles só foram informados da decisão na última semana, por meio de mensagem encaminhada por WhatsApp. Ainda segundo ele, o caso é bastante emblemático e, inclusive, não é uma situação inédita na atual gestão. “O Hospital Nossa Senhora Aparecida, complexo também anexo ao Odilon, tinha 50 leitos de clínica médica até meados de julho. Da noite para o dia, com o mesmo tipo de aviso, foi comunicado que metade dos leitos seria fechada para que aquela unidade recebesse a UPA Nordeste”, informou Paixão.


ESTRUTURA Para os manifestantes, a abertura de novas UPAs e diminuição de leitos de urgência e emergência não é solução e ainda coloca em risco a população, que perde vagas e ainda fica sem leitos de retaguarda. Os servidores explicaram ainda que o novo espaço pode até ser maior e mais moderno, porém, está programado para atendimento de casos menos complexos e não tem a estrutura do Odilon Behrens, que é referência em emergência em Minas, composto por sala de tomografia, bloco cirúrgico, banco de sangue, laboratório completo e conta com profissionais especializados.


Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que a mudança da unidade de acolhimento do Hospital Odilon Behrens para a UPA proporcionará à população e aos trabalhadores melhores acomodações e um fluxo exclusivo para os atendimentos de urgência e emergência. Isso porque a nova unidade tem espaço duas vezes maior que o pronto-socorro e instalações mais modernas e amplas.

Também foi informado que o funcionamento da nova unidade possibilitará uma reorganização no hospital, visando à acomodação de leitos de cuidados críticos em unidade de terapia intensiva.
Sobre a reclamação de perda de leito dos servidores, o esclarecimento é que não “haverá supressão, mas a qualificação dos mesmos”. Segundo a assessoria do hospital, serão seis leitos para a sala vermelha, disponibilizados para os casos de urgência e emergência, e 12 para a sala amarela, para os pacientes menos graves, totalizando 18 vagas, mesmo número do pronto-socorro do HOB, e que o total de 22 vagas é quando o atendimento ultrapassa o limite.


Quanto à situação dos funcionários, a informação passada foi que a equipe do hospital, que hoje já trabalha na atenção de pronto atendimento no prédio atual, passará a atender na nova unidade. A SMS afirmou que houve um aumento de 50% da demanda de atendimento nas unidades municipais de saúde nos primeiros quatro meses de 2015 e queda de 9% de óbito, mesmo com a sobrecarga no serviço.

.