As adoráveis imagens da pequena Piper, de 10 meses, usando óculos e sorrindo ao ver seus pais – com nitidez – pela primeira vez fizeram sucesso na internet. Até ontem, quase 1,8 milhão de pessoas tinham visto o vídeo. Além do excesso de fofura, Piper, que é de Ohio, nos Estados Unidos, deixa um alerta a todos os pais sobre a importância de levarem os bebês, mesmo os pequeninos, para fazerem avaliações oftalmológicas. “A criança não tem consciência do déficit visual. A vida segue normal dentro do padrão delas e, por isso, os pais não percebem que os bebês podem ter uma deficiência”, explica a médica oftalmologista pediátrica Érika Mota Pereira, especialista em estrabismo.
Um dos pacientes de Érika é Vitor Silveira, de 2 anos. Há três meses, Vítor começou a usar óculos. “Levamos ele a vários médicos e é impressionante como ele tinha um desenvolvimento normal mesmo com o grau de miopia tão elevado”, recorda o pai, Vinícius Silveira. O bebê foi diagnosticado com 12 graus de miopia.
Quando Vitor era um bebê de poucos meses, o pai achava que o fato de ele aproximar demais os brinquedos dos olhos era porque era detalhista. “Quando levamos na médica e diagnosticamos o alto grau foi um susto”, conta. O bebê começou a usar os óculos ao meio-dia e, segundo relato do pai, em seguida já estava brincando de tocar guitarra e pulando. Há, inclusive, um vídeo feito pelo pai no primeiro dia de Vitor usando óculos. O bebê pula e dança ao som de AC/DC. “Ele não aceita ficar sem óculos mais. Se, por acaso, saímos de casa e esquecemos os óculos, ele fica pedindo.”
A médica explica que, mesmo em crianças que não falam, é possível diagnosticar os problemas de visão, usando colírio para dilatar a pupila e medir o comprimento axial do olho.
Outra forma de perceber deficiência visual é notando problemas motores. “Tem caso de menino que está com dificuldade e atraso para andar. Pode ser falta de óculos”, destaca a médica. Em crianças pequenas, como Piper e Vitor, a armação dos óculos é feita de silicone e fica presa na cabeça. Érika explica que é possível adaptar armações inclusive para crianças muito novas, com orelha frágil e ponte nasal baixa.