Jornal Estado de Minas

Prefeitura de BH incentivará uso do entorno da Praça da Liberdade

Para diminuir o impacto dos eventos na Praça da Liberdade, administração municipal quer que shows, manifestações e outras atividades sejam realizadas em vias próximas

Valquiria Lopes
Também protegido por tombamento, coreto é um dos principais atrativos da praça - Foto: Euler Júnior/EM/DA Press

A saída para preservar o conjunto paisagístico e arquitetônico da Praça da Liberdade pode estar bem perto dela. O uso das avenidas que levam ao ponto turístico, calçadões e áreas entre os prédios que integram o Circuito Cultural Praça da Liberdade será incentivado pela Prefeitura de Belo Horizonte, na tentativa de minimizar os impactos negativos de eventos com grandes concentrações de pessoas na área. De acordo com o secretário´da Administração Regional Centro-Sul, Marcelo Souza e Silva, essa orientação será repassada às pessoas e empresas que buscarem autorização da PBH para a realização de eventos no local. “Há espaços que comportam bem a aglomeração de pessoas, sem perder a referência da praça”, afirma o secretário.


A presidente do Iepha, Michele Arroyo, destaca a preocupação do órgão – que é o atual gestor do Circuito Cultural Praça da Liberdade – no que diz respeito à preservação do espaço. Ela ressalta, no entanto, que qualquer medida a ser adotada não pode frear a dinamização do conjunto de museus e equipamentos instalados no local. “A ideia é pensar a gestão da praça, trazer usos culturais mais compatíveis. Mas, ao mesmo tempo, ampliar a programação, pensando os eventos de grande porte para o entorno, com mais segurança e sem ter que fechar ou colocar grades em toda a praça. Talvez, o mais importante seja tentar achar qual é a melhor característica dos eventos, de forma a garantir que eles sejam autorizados, mas conservando a praça”, diz Michele.

REFERÊNCIA Ela explica, por exemplo, que em grandes festas ou manifestações culturais, a concentração maior de público e a montagem dos grandes palcos e estrutura de banheiros químicos podem ser feitas nas avenidas adjacentes (Brasil, Bias Fortes ou João Pinheiro).

“Assim, a praça fica como referência, como área de circulação, de encontro ou pode até sediar um palco menor, um evento secundário”, diz, lembrando ser necessário criar um calendário de eventos, com categorização dos mesmos.

Com essa mudança, a presidente do Iepha afirma ser possível garantir que os moradores de BH e de outras cidades possam frequentar a praça, conhecer os espaços culturais do circuito, sem prejuízo para nenhum dos espaços. “Para a divulgação do Circuito Cultural, é muito importante que os eventos sejam realizados na praça. Por isso, é preciso valorizar o entorno.”

 

Memória tombamento em 1977

De acordo com dados oficiais do Iepha-MG, o conjunto arquitetônico e paisagístico da Praça da Liberdade foi tombado pelo Decreto 18.531, de 2 de junho de 1977, “sendo então determinada sua inscrição nos registros nos livros do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico (Livro I), do Tombo de Belas Artes (Livro II) e do Tombo Histórico (Livro III). O tombamento compreende jardins, alamedas, lagos, hermas (esculturas), fontes e monumentos, bem como os prédios das antigas secretarias de Estado da Fazenda, Obras Públicas, Educação, Segurança Pública e Interior e Justiça, pelo seu aspecto externo, incluindo as fachadas e seu interior, com decorações, escadarias monumentais, pinturas de tetos, painéis, vitrais e os prédios dos palácios da Liberdade e dos Despachos.”


Também inclusos no traçado do perímetro de tombamento “encontram-se o alinhamento do prédio de nº 263 da rua lateral leste da própria Praça da Liberdade, conhecido como Palácio Cristo Rei, o Solar Narbona, o Palacete Dantas, o Servas, a residência nº 2.287 da Rua da Bahia, a Praça José Mendes Júnior ,defronte do Palácio dos Despachos, o antigo anexo da Secretaria de Educação e o prédio do setor de empréstimo da Biblioteca Pública Luiz de Bessa. Grande parte desse conjunto recebe também tombamento municipal desde o ano de 1994, integrando o Conjunto Urbano da Praça da Liberdade, Av. João Pinheiro e adjacências.”

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