Casos recentes de assaltos na Região Metropolitana de Belo Horizonte têm chamado a atenção por causa da forma de atuação dos bandidos em ações envolvendo pequenos roubos. Para levar celulares, carteiras, cartões bancários e outros bens de menor valor de pedestres, criminosos não têm se limitado apenas a roubar a pé ou de moto, modalidades mais conhecidas da polícia. Eles também têm usado carros, rodando à procura de oportunidades, como pessoas em pontos de ônibus, em locais menos movimentados ou em qualquer outra situação que facilite as investidas. Levantamento feito pelo Estado de Minas indica que, nos últimos dois meses, houve pelo menos quatro situações em que o perfil de ataque se assemelha. Para a Polícia Militar (PM), é certo que essa modalidade tem sido mais frequente, mesmo sem ainda se destacar no universo das ocorrências. Para combater o problema, a corporação diz que está intensificando as blitzes nas áreas urbanas e nas estradas da Grande BH.
A situação contribui para manter acelerado o crescimento dos roubos. Dados divulgados recentemente pela Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) mostram que, no primeiro trimestre de 2015, foram registrados 15.846 assaltos, 14,67% a mais do que os 13.819 do mesmo período de 2014. Só na capital mineira, houve aumento de 8,73%, saindo de 8.504 para 9.246 roubos.
Em 17 de abril, outro caso com o modus operandi parecido foi registrado, dessa vez na Savassi, Centro-Sul. Enquanto alunos da Escola de Arquitetura da UFMG assistiam a um filme numa área externa, um homem armado roubou oito celulares. “Estacionou um carro na porta e desceu um cara. Ele gesticulou com uma arma nas mãos dizendo que era um assalto e falou que queria os celulares bem rápido. Depois, entrou no carro pelo banco do passageiro e o veículo foi embora”, conta a estudante G. C., 21 anos, uma das pessoas que tiveram o aparelho levado. Ela conta ainda que, 15 minutos antes, uma conhecida foi abordada por um estranho em um carro com as mesmas características. “Ela estava na Rua Pernambuco e tinha acabado de sair da igreja.
Cerco a motos seria detonador
Para o doutor em criminologia e presidente da Comissão de Assuntos Penitenciários da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Adílson Rocha, essa forma de atuação é reflexo direto do fato de a PM ter voltado o foco de sua repressão para as motocicletas. “No momento em que temos a repressão às motos, a tendência é de que essa empreitada migre para o carro, que normalmente é roubado e clonado”, observa. Ele, porém, avalia que as chances de combate são mais positivas em situações desse tipo. “Como a mobilidade é menor, fica mais fácil reverter a situação se acompanhada de perto pela PM”, diz o especialista.
DOIS BALEADOS, TRÊS PRESOS Mais duas abordagens semelhantes ocorreram em outras regiões da cidade. Na sexta-feira, uma mulher aguardava um ônibus em um ponto da Avenida Getúlio Vargas, no Bairro Funcionários, quando um carro se aproximou. Um ladrão saiu e apontou a arma, levando o celular da vítima. Já em 22 de fevereiro, quatro homens foram interceptados pela PM depois de assaltarem de carro um grupo de jovens que estava em um ponto de ônibus do Bairro Santa Maria, Zona Oeste de BH. Momentos depois, a mesma quadrilha atacou uma mulher no Camargo (Oeste). A perseguição policial levou a três prisões. Dois dos acusados foram baleados. Um está foragido..