Jornal Estado de Minas

BH pode ter último dia de carnaval com chuva acompanhada de rajadas de ventos e raios

Nessa segunda-feira, estragos foram provocados em Belo Horizonte durante o aguaceiro que caiu sobre a cidade. Árvores e um muro de um prédio caíram e causaram transtornos

João Henrique do Vale Ludymilla Sá

A folia desta terça-feira deve ser novamente debaixo de chuva.
A Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (Comdec) emitiu um alerta no início da noite desta terça-feira  para a possibilidade de temporais com acumulado de 20 a 40 milímetros de água. A precipitação pode ser acompanhada de raios e rajadas de ventos de até 50 quilômetros por hora. O aviso vale das 19h até o fim da noite de quarta-feira. Nessa segunda-feira, estragos foram provocados em Belo Horizonte durante o aguaceiro que caiu sobre a cidade.

O temporal acompanhado de granizo, que durou cerca de uma hora na segunda-feira, provocou transtornos e prejuízos em Belo Horizonte. Na mais grave ocorrência, 88 famílias viveram horas de desespero no Sion, na Região Centro-Sul. Um muro de contenção da garagem anexa ao prédio localizado na Praça Miguel Chiquiloff, 41, se rompeu em razão da força da água e arrastou pelo menos sete carros.
Com isso, os veículos atingiram o muro do prédio vizinho e um deles caiu na garagem deste edifício. Os bombeiros foram chamados e interditaram a edificação preventivamente até a chegada de uma equipe da Defesa Civil. Quedas de árvores em diversos pontos da cidade também foram registradas. Vários bairros ficaram sem energia elétrica e o aeroporto da Pampulha ficou às escuras. Com isso, voos foram transferidos para o terminal de Confins, na Grande BH.

Na queda do muro no Sion, uma senhora teve escoriações na perna esquerda e foi atendida pelo Samu no local. O prédio só foi liberado parcialmente três horas depois da ocorrência. Os outros dois andares de garagem também foram inundados, assim como as galerias dos elevadores. Os locais foram interditados pelos engenheiros da Defesa Civil. Com isso, os moradores do edifício de 22 andares só puderam ter acesso aos seus apartamentos pela escada.

Não houve comprometimento da estrutura do prédio, segundo os especialistas. “Como a chuva estava muito forte, não houve vazão necessária da água e a parte do muro que não era atirantada caiu. A chuva arrastou carros e um deles caiu na garagem do vizinho”, contou o tenente do Corpo de Bombeiros Leonard Farah.

O muro de arrimo foi construído na divisa com uma área não pavimentada da Rua Nicarágua.
Segundo os moradores, o local tem sido usado como depósito de lixo e virou entulho de obras que ocorrem na região, o que entope a galeria fluvial. “Era previsível. Atrás do prédio tem uma rua de terra e, quando chove, desce muita lama. Já acionamos a prefeitura diversas vezes”, afirmou Júnia Pinheiro, proprietária de um dos imóveis.

NO ESCURO


De acordo com a Cemig, bairros das regiões da Pampulha, Norte e Noroeste tiveram o fornecimento de energia cortado por causa de quedas de árvores e objetos na rede alimentadora. O Aeroporto Carlos Drummond de Andrade, na Pampulha, também ficou sem luz e os e os voos foram transferidos para o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins. “Durante a chuva, houve uma queda de energia e tudo ficou fora do ar e a torre de controle, às escuras. Voos foram transferidos para Confins”, disse um funcionário que não quis se identificar.

No  Caiçara, na Região Noroeste, uma árvore caiu e interditou parcialmente a Rua Barão de Coromandel. Outras duas árvores caíram na Avenida Carlos Luz e deixaram o trânsito complicado em frente ao Cemitério da Paz. Os troncos interditaram a via sentido bairro/Centro.
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