Guilherme Paranaiba
1 - Cruzamento das ruas dos Guaranis e dos Caetés, no Centro de BH
Um conjunto de delimitadores de plástico divide há mais de seis meses o tráfego da Rua dos Guaranis com o trânsito que chega do Viaduto B. Duas peças de concreto já desgastadas limitam uma área na contramão para a fila de taxistas que vão à rodoviária da capital.
Resposta da BHTrans: a sinalização é provisória até que sejam implantadas as mudanças definitivas previstas para o local e que fazem parte do Mobicentro, conjunto de soluções integradas de engenharia de tráfego e de transportes. - Foto: Euler Junior/EM/D.A Press.
Soluções temporárias adotadas pela BHTrans para disciplinar o tráfego em determinados lugares de Belo Horizonte estão se transformando em definitivas. A reportagem do Estado de Minas encontrou cinco locais onde isso ocorre e comprovou que as ações conhecidas popularmente como gambiarras estão durando mais do que deveriam. Segundo especialistas, elas acabam criando uma imagem negativa para a cidade, motoristas e pedestres. Além de os remendos gerarem transtornos viários, acabam agredindo a estética urbana.
Um dos exemplos mais emblemáticos pode ser encontrado no coração de Belo Horizonte, a poucos metros da rodoviária da capital. Há mais de seis meses, a BHTrans modificou o trânsito na região e implantou delimitadores físicos de plástico para separar o trânsito que vem da Rua dos Guaranis do fluxo que chega ao Centro pelo Viaduto B. Até hoje, os delimitadores estão no mesmo local, já desgastados pelo tempo e também pelo vandalismo. Muitos chegam até a ser removidos pelos pedestres. Nesse ponto, o que mais chama a atenção são duas peças de concreto e ferragens muito pesadas colocadas bem ao lado do viaduto.
Elas fazem a proteção a uma fila de taxistas que se estende pela Rua do Acre, paralela ao elevado, antes de entrar na rodoviária.
2 - Avenida Paraná com Rua dos Tamoios, no Centro de BH
As pistas de concreto do Move estão funcionando perfeitamente, mas as caixas de plástico da sinalização colocadas em março criam um contraste com a parte que foi revitalizada. Elas separam espaços para os pedestres, mas também causam confusão e desarranjo estético para a nova avenida.
Resposta da BHTrans: os delimitadores foram instalados para alertar os motoristas até que eles se adaptem às mudanças feitas no local. - Foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press“Acho essa solução bem confusa, já que os táxis entram no canto do viaduto e muitos carros que descem do elevado não entendem. Alguns quase batem de frente com a gente”, afirma o taxista Roberto Mendes Rabelo, de 52 anos. “Essa opção piorou a circulação. Creio que falta uma gestão mais qualificada para dar conta desses problemas”, diz o corretor Otávio Andrade, de 37. Para os pedestres, a confusão é muito maior. “Se entra alguém desatento, o risco de ser atropelado é grande”, conta o vigilante Francisco Fernandes, de 58.
A três quarteirões dali, a Avenida Paraná chama a atenção pela revitalização. Porém, o corredor que foi preparado para abrigar os ônibus do Move recebe também fileiras de caixas de plástico na cor laranja entre suas pistas no cruzamento com a Rua dos Tamoios. O objetivo é demarcar a área de pedestres. “Serve para evitar acidente e dar mais segurança, mas cabia uma solução melhor”, diz o aposentado Carmito dos Santos, de 66.
3 - Estação São Gabriel do Move, no Bairro São Gabriel, Região Nordeste de BH
A divisão entre as pistas de concreto do Move e as faixas do trânsito comum na entrada da estação bem embaixo do viaduto do Anel Rodoviário é feita com caixas de plástico.
Elas estão tão desgastadas que parecem lixo urbano. O mato está crescendo em volta.
Resposta da BHTrans: a sinalização móvel permanece no local no caso de um acidente ou uma grande retenção na via, liberando assim o acesso dos ônibus com mais agilidade. Os objetos que estiverem avariados serão substituídos. - Foto: Euler Junior/EM/D.A Press.Para o coordenador do Núcleo de Logística da Fundação Dom Cabral, Paulo Resende, as gambiarras estão arraigadas na cultura brasileira e o que ocorre em BH é reflexo do restante do país. Segundo o especialista, a falta de recursos financeiros é a principal responsável pela aparição desses artifícios que acabam sendo negativos na prática. “As gambiarras abrem brechas para que o motorista contorne a situação do seu jeito, desrespeitando o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Para que as soluções temporárias não piorem a situação encontrada nos diferentes locais da cidade, é preciso ter um planejamento que garanta uma ação definitiva após a medida adotada em caráter temporário”, diz o professor.
A presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil em Minas Gerais (IAB/MG), Rose Guedes, afirma que, se a medida é extremamente necessária em caráter provisório, ela deve ser adotada. “Porém, se vira uma coisa institucionalizada que agride a paisagem, não pode permanecer. As intervenções têm que trazer uma informação que seja agradável, para que não piore o que já estava com problemas”, diz a arquiteta.
4 - Avenida Cristiano Machado com Rua Malibu, em frente ao Shopping Estação, no Bairro Vila Clóris, Região Norte de BH
No meio da Avenida Cristiano Machado, estão espalhadas várias barreiras de concreto. Elas fecham os acessos antigos que existiam no local e não são mais permitidos. Na Rua Malibu, uma passagem provisória de pedestres com cones foi a solução implantada para aumentar a segurança dos transeuntes.
Resposta da BHTrans: com as futuras obras de um complexo viário no cruzamento das avenidas Cristiano Machado e Vilarinho, os delimitadores serão removidos. Em breve, será realizada uma obra para abertura do canteiro central da Rua Malibu, concluindo assim a nova travessia segura para os pedestres no local. - Foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A PressVetor Norte A situação encontrada no Centro se repete em outros três pontos de rotas em direção ao Vetor Norte da Grande BH. Nas imediações da Estação São Gabriel do Move, no bairro de mesmo nome, Nordeste de BH, a divisão entre a faixa exclusiva e a pista comum é feita com delimitadores de plástico. Mas os objetos estão destruídos. No cruzamento das avenidas Antônio Carlos e Santa Rosa, Bairro São Luiz, Pampulha, a BHTrans informa que desde 2012 é proibido atravessar a Antônio Carlos pela Santa Rosa no sentido Aeroporto da Pampulha/lagoa. Para garantir essa proibição, três barreiras de concreto e ferro estão posicionadas desde então.
Uma das razões para a confusão encontrada na Avenida Cristiano Machado, em frente ao Shopping Estação, é o excesso de gambiarras. As barreiras de concreto estão espalhadas aos montes na região do canteiro central.
Elas servem para fechar os acessos abertos no passado, mas que hoje não são mais permitidos, como a entrada à esquerda da Cristiano Machado para a Rua Malibu, bem em frente ao shopping.
Avenida Antônio Carlos com Avenida Santa Rosa, no Bairro São Luiz, Região da Pampulha
Não é possível atravessar a Antônio Carlos se o motorista estiver na Santa Rosa sentido Aeroporto da Pampulha/lagoa. Para bloquear essa possibilidade, três barreiras de concreto foram colocadas no local.
Resposta da BHTrans: a barra de concreto é um recurso necessário para operações especiais e desvios em grandes eventos, como aconteceu na Copa do Mundo. - Foto: Já ao lado do centro de compras, funciona uma travessia provisória de pedestres com vários cones há cerca de um mês. Foi a solução encontrada para viabilizar a passagem de quem precisa atravessar a Rua Malibu indo ao shopping ou voltando do local. “Alguns ônibus quase acertam os cones. Há risco de acidentes. Precisamos de uma passarela direto para o shopping”, afirma a enfermeira Juliana Gomes, de 28.
Em nota, a BHTrans afirma que os objetos móveis são usados na capital em situações específicas, como sinalização temporária de obra e eventos, reforço na sinalização definitiva (caso de novos semáforos), inversão de paradas obrigatórias, restrição de estacionamento e alterações de circulação. Esses objetos permanecem na via até que os motoristas se adaptem às mudanças.
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