Jornal Estado de Minas

Chuva que começa a amenizar efeitos da estiagem deve durar até amanhã

Moradores de BH comemoram chuva do fim de semana, considerada importante por especialistas para começar a diminuir efeitos da estiagem. Tempo fica fechado até amanhã

Jorge Macedo - especial para o EM

Guilherme Paranaiba e Andrea Silva

- Foto: Beto Novaes/EM/D.A Press

A chuva contínua do fim de semana em Belo Horizonte e outras regiões de Minas trouxe alívio para moradores, começou a amenizar efeitos da estiagem prolongada e deve continuar pelo menos até amanhã. A previsão é de céu nublado em todo o estado por mais 24 horas, quando as temperaturas voltam a subir, mas novas precipitações devem ocorrer no fim de semana, com a chegada de frente fria. Em Belo Horizonte, apesar do domingo de chuva constante, não houve registros de incidentes graves. Em Sabará, porém, uma casa ficou alagada no Bairro Alto do Fidalgo.

Segundo o meteorologista do Climatempo Ruibran dos Reis, a chuva do fim de semana foi resultado de uma frente fria que se formou no litoral de São Paulo e chegou a Minas na noite de sábado, provocando precipitações principalmente na Grande BH e nas regiões Central, Norte, e nos vales do Jequitinhonha, Rio Doce e Mucuri. A temperatura também caiu, já que os termômetros variaram entre 18°C e 21°C. “Até amanhã de manhã, teremos céu nublado e chuva contínua. O próximo fim de semana também será chuvoso em todo o estado”, afirmou o meteorologista.

Segundo ele, chuvas com grande volume em Minas só serão registradas no início de dezembro.

Geraldo Paixão, técnico de meteorologia da Cemig, afirmou que, apesar de a frente fria atual durar apenas até amanhã, a nova massa de ar frio que está prevista para a semana que vem será mais intensa. “Nossa expectativa é que as zonas de convergência de umidade comecem a atuar em novembro, aumentando o tempo que vai ficar chovendo e iniciando com mais força o processo de reabastecimento dos mananciais e reservatórios”, disse. A previsão é que o tempo seco e quente dê trégua. “Não vamos ter aquela estiagem prolongada em que a temperatura fica muito quente”, completou.

Paixão acrescenta que essa chuva é importante para fazer com que a água infiltre no solo e reabasteça os aquíferos subterrâneos. “Com o solo encharcado, criam-se as condições para rios e reservatórios começarem a recuperar o volume”, explicou. Em Belo Horizonte, o meteorologista diz que a média histórica de chuva para outubro é de 142 milímetros. Até ontem, a capital já tinha registrado 102 milímetros, o que corresponde a 72% da média. “Somente da noite de sábado até às 16h de hoje (ontem), tivemos 30 milímetros na Região Centro-Sul e cerca de 45 milímetros na Região da Pampulha. “Essa é uma chuva moderada, de volume considerado razoável”, completou Geraldo Paixão.

Alento

A aposentada Francisca Nunes, de 68 anos, e a filha, a designer Marina Brant, de 33, comemoraram a chuva de ontem. “Parece que a sensação do incômodo piora quando sabemos que podemos ter o abastecimento prejudicado. É um alívio sair na rua com o tempo nublado e chovendo por mais tempo .

Além de diminuir a temperatura, ameniza o tempo seco e a poeira”, disse Francisca.

Por sua vez, a bióloga Ana Maria de Queiróz, de 30 anos, disse esperar que as chuvas sejam mais constantes e evitem novos focos de incêndio na Grande BH. Ela se disse preocupada com as queimadas dos últimos meses, que destruíram a vegetação em várias partes do estado e expulsaram os animais dos hábitats naturais. “Além dos incêndios que destruíram espécies de plantas e animais, estamos lidando com a baixa e a seca de rios e nascentes”, lembrou. Ela cobrou que a população use água racionalmente. “Só a chuva não resolverá o problema”, opinou.

 

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