Jornal Estado de Minas

Furtos de materiais deixam consumidores sem serviços e causam prejuízos

Concessionárias gastaram R$ 500 mil em sete meses para repor material furtado. Mesmo valor a BHTrans desembolsou em um ano com o vandalismo. À população, resta o transtorno

Márcia Maria Cruz

Os fios de alta tensão e de telefonia são alvo frequente de ladrões, por causa do cobre, que é negociado no mercado clandestino, mesmo com o risco de choque elétrico - Foto: Marcos Vieira/EM/D.A PRESS


Suspensão no fornecimento de água e energia elétrica, piora nos serviços de telefonia e precariedade dos abrigos de ônibus são a face visível da ação de vândalos que depredam e, muitas vezes, furtam cabos e outros equipamentos em espaços públicos de Belo HorizonteO lado invisível compreende os recursos que os cofres públicos precisam despender para reparar os danosCondutores de energia, principalmente os de cobre, transformadores, reguladores de tensão, semáforos e até tampões de bueiros são os alvos mas frequentes dos ladrões.

Os gastos para substituir os materiais subtraídos apenas de janeiro a agosto deste ano chegam a R$ 500 milEsse valor dobra se entrarem no cálculo reparos devido a atos de pura depredaçãoComo os cabos estão em redes energizadas, ainda há risco de morte para quem os furtaNa maioria das vezes, o prejuízo entra na conta das instituições como vandalismo, pela dificuldade de caracterizar o crimeOutros R$ 500 mil foram gastos pela BHTrans em reparos de equipamentos de fiscalização eletrônica e sinalização de trânsito depredados no último ano.

O vandalismo resultou, nos últimos dois dias, na suspensão do abastecimento de água em 300 bairros da capital, boa parte de Sabará e Vespasiano, quase todo o município de Nova Lima, Justinópolis (Ribeirão das Neves), Raposos e Santa Luzia, na Grande BHEmbora tenha sido aprovada legislação estadual para coibir os roubos, há indícios de aumento desses casos.

Sancionada em 13 de janeiro, a Lei 21.138 objetiva dificultar a revenda dos materiais surrupiados, ao estabelecer que os ferros-velhos e empresas que trabalham com sucatas, reciclagem e recuperação de materiais metálicos são obrigadas a emitir nota fiscal de entrada de mercadoria a cada operação de compra.

Mesmo assim, a TIM registrou aumento de 20% nos furtos de cabos, entre agosto e setembro deste ano, na rede de transmissão em MinasEm nota, a empresa informa que os cabos, de cobre ou alumínio, são estruturas indispensáveis para a transmissão de voz e dados e, quando comprometidos, interferem diretamente na prestação do serviçoCada ponto vandalizado tem entre 50 e 70 metros de cabos e leva, em média, de 10 a 15 dias para ser recuperadoA operadora Oi registrou 1.019 casos de furtos de cabos de telefonia em Minas, de janeiro a setembro deste ano
A companhia informou que adota medidas preventivas para dificultar a ação dos ladrõesA empresa mantém em funcionamento um canal para denúncias de furto de cabos de telefonia, por meio da linha gratuita 0800 282 5531

ROMBO A Cemig desembolsou cerca de R$ 480 mil para corrigir problemas decorrentes do furto de cabos de energia elétrica em Minas, apenas de janeiro a agosto deste anoSomente na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a mais afetada, a empresa gastou R$ 140 mil em medidas corretivasO valor gasto até agosto representa quase 70% do que foi desembolsado nos 12 meses de 2013Foram necessários cerca de R$ 700 mil para corrigir problemas ligados ao furto de cabos de energia elétrica no estado no ano passado

A empresa tem a maior rede da América do Sul, com 486 mil quilômetros de cabos espalhados por todo o estadoOs furtos podem ser tanto de cabos aéreos como os instalados no subterrâneo“O furto na rede subterrânea é mais fácilNa rede aérea, há riscos de tensão e de quedas”, afirma o engenheiro do sistema elétrico Márcio Moreira Gonçalves


Os recursos da estatal são usados não só em obras para regularizar o fornecimento de energia, mas também para substituição do material furtadoA Cemig conduz ações para tentar impedir os furtos, desenvolve equipamentos de proteção para as redes e mantém contato com as polícias Militar e Civil para coibir a comercialização do material furtado

Os danos se estendem por toda a cidade e afetam até mesmo o trânsitoDe acordo com a BHTrans, em 2013 foram danificados por vandalismo equipamentos de 23 cruzamentos e 3,6 mil metros de cabos elétricosForam gastos R$ 32,9 mil para substituir o material perdidoApenas no primeiro semestre deste ano, foram danificados equipamentos em 27 semáforos e 1.069 cabos elétricos foram furtadosEm 2013, foram danificados 194 placas, 17 suportes e 90 abrigos de ônibusPara o conserto, a despesa foi de R$ 72,1 milEste ano, foram danificadas 173 placas, além de 26 suportes e oito abrigos, com um custo total de R$ 39,1 mil


Tentativa de furto de cabos na estação Bela Fama afetou abastecimento - Foto: Beto Magalhães/EM/D.A/PRESS 25/3/11
Promessa de água na torneira

O abastecimento de água em 300 bairros em BH e seis cidades da região metropolitana deverá se normalizar hoje, de acordo com a CopasaO fornecimento foi comprometido devido a uma tentativa de furto de cabos na estação do sistema de captação de Bela Forma, no Rio das Velhas, em Nova Lima, na Grande BH.

A Copasa informou que a manutenção do sistema foi feita na madrugada de ontem e que o abastecimento será normalizado de maneira gradativaEm nota, a concessionária pediu a colaboração dos moradores para evitar desperdício e fazer o uso consciente da água, para agilizar o restabelecimento do serviço para as partes altas e distantes.

Não só os cabos são alvo de ladrõesNa capital, são substituídos de 15 a 20 tampões de redes de água e esgoto, em decorrência de extravios relacionados a diversos fatores, que incluem os furtosPara combater essa situação, a Copasa substitui a rede atual por novos modelos de tampãoNo lugar dos convencionais, de ferro, estão sendo usados os feitos de concreto.