Nove linhas de ônibus – seis que já circulam e três ainda não implantadas – já deveriam estar integradas ao BRT/Move desde 26 de julho, conforme planilha interna da BHTrans obtida pelo Estado de Minas. Das nove, sete são troncais que partem ou têm previsão de sair das estações de integração Venda Nova e Vilarinho e foram diretamente afetadas pelo desabamento da alça sul do Viaduto Batalha dos Guararapes. A queda mantém a Avenida Pedro I fechada desde 3 de julho. Fontes da empresa que gerencia o trânsito na capital revelaram à reportagem que a etapa atrasada, a nona do novo sistema de transporte, está sendo preparada para começar a operar nos próximos dias.
A expansão do Move, mesmo com o trânsito ainda fechado e sem solução na Pedro I, é pressionada pelas empresas de ônibus, que já estão com os coletivos parados nas garagens, conforme apurou a reportagem. Outro problema que compromete o andamento do Move é a indefinição sobre a alça norte do viaduto, que aumenta o transtorno de quem usa as cinco linhas convencionais que já circulam na região e estão sendo desviadas para vias internas do Bairro São João Batista, em Venda Nova. Integrá-las ao Move reduziria as perdas causadas pela confusão do tráfego com a entrada dos ônibus na busway das avenidas Pedro I, Antônio Carlos e Cristiano Machado. Todas usam os ônibus comuns e não têm condições estruturais de pegar passageiros nas estações de transferência.
Enquanto isso, as vias usadas como desvio no entorno da Pedro I estão com trânsito conturbado o dia inteiro. O maior problema ocorre na Avenida Doutor Álvaro Camargos, que passou a receber o fluxo de veículos e ônibus da avenida interditada. Morador do Bairro Jardim Europa, em Venda Nova, o professor Elias Nunes, de 27 anos, diz que perde de 30 a 40 minutos para percorrer a via, no cruzamento com Avenida João Samaha. “O trânsito aqui virou uma imensa confusão. Já era ruim, agora está insuportável”, reclama. Além da intensa movimentação de veículos, a Doutor Álvaro Camargos recebeu ainda as linhas 63 e 65 do Move e itinerários feitos por ônibus convencionais que já passavam pela Pedro I.
A linha 64, que faz o trajeto Estação Venda Nova/Santo Agostinho, é uma das que passaram a usar o desvio. Pela lista da BHTrans, ela também passará a integrar o sistema Move nos próximos dias. A mudança, segundo a autônoma Kátia Gonçalves, de 56, será um alívio para os passageiros. “Passar pelo corredor exclusivo vai melhorar muito o tempo gasto no trânsito. Na pista comum o tempo até entre minha casa (na Avenida Pedro I) e o Centro é de mais de uma hora. Na pista do Move, são cerca de 15 minutos”, diz.
A planilha da BHTrans também mostra que na nova etapa, preparada para sábado da semana que vem, segundo agentes da empresa, a linha 83P (Estação São Gabriel/Centro Paradora) será extinta e dará lugar à linha 80 (Estação São Gabriel/Lagoinha), que já funcionou na cidade, mas não faz mais parte do sistema, segundo a empresa. Dessa forma, a BHTrans repetiria com a Estação São Gabriel e Avenida Cristiano Machado a ideia implantada na Avenida Antônio Carlos e na Estação Pampulha, designando uma linha direta do terminal base do corredor ao Centro e outra paradora fazendo o retorno na Lagoinha, sem necessidade de entrar nas vias centrais.
Uma pista de que a BHTrans está se movimentando para integrar mais linhas de Venda Nova ao novo sistema é dada pelas intervenções na região. Na última quarta-feira, operários trabalhavam no alargamento da esquina das ruas Doutor Álvaro Camargos e Eugênio Volpini, no São João Batista, com o objetivo de viabilizar novos desvios como opção ao tráfego confuso. A ideia é diminuir a área de interdição da Pedro I, que hoje tem 10 quarteirões entre as ruas João Samaha e Doutor Cristiano Guimarães. No sentido bairro, os ônibus usariam a Pedro I até o Viaduto João Samaha, pegando a Álvaro Camargos, Eugênio Volpini e Doutor Américo Gasparini, antes de retornar à avenida logo após o desabamento. No sentido contrário, com destino ao Centro, a opção é sair da Pedro I, entrar na Rua Professor Aimoré Dutra até a Doutor Álvaro Camargos e retornar à avenida pela Rua São Pedro do Avaí.
Em nota, a BHTrans não se manifestou sobre atraso e diz que a operação do Move em novos trechos será feita em etapas, com ampla divulgação aos usuários e comunidades, além da divulgação de material informativo. O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra/BH) informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que os consórcios que operam o transporte público em BH estão prontos para as novas etapas do Move, dependendo apenas de ordem da BHTrans.
Diametrais
Entre as nove linhas que deveriam funcionar integradas ao Move desde 26 de julho, está a 5201, que liga os bairros Dona Clara (Pampulha) e Buritis (Oeste). Ao longo da Avenida Antônio Carlos, as estações de transferência de passageiros trazem a sinalização correspondente à linha 5201, o que já indicava que ela também faria parte do novo sistema de ônibus de BH. A integração de linhas diametrais, que ligam bairros passando pelo Centro, ao Move possibilita embarcar no Buritis, por exemplo, e pagar uma única passagem até locais de Venda Nova ou da Pampulha, o que não ocorre com a atual configuração do sistema.
Fora de circulação
Linhas atrasadas desde 26 de julho, segundo planilha da BHTrans
EM CIRCULAÇÃO, MAS AINDA NÃO INTEGRADAS
62 – Estação Venda Nova/Savassi via Hospitais
64 – Estação Venda Nova/Assembleia via Carlos Luz
66 – Estação Vilarinho/Centro/Hospitais Via Cristiano Machado
67 – Estação Vilarinho/Assembleia via Carlos Luz
5201 – Dona Clara/Buritis
6350 – Estação Vilarinho/Estação Barreiro Via Anel Rodoviário
LINHAS QUE AINDA SERÃO CRIADAS
65 – Estação Vilarinho/Centro Direta
68 – Estação Vilarinho/Lagoinha
80 – Estação São Gabriel/Lagoinha
Enquanto isso...
...Laudo é redigido
Peritos do Instituto de Criminalística da Polícia Civil iniciaram ontem a redação do laudo com as informações sobre as possíveis causas da queda da alça sul do viaduto sobre a Avenida Pedro I.
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