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Estado de Minas

Ciclistas apontam problemas para quem pedala em BH

Dificuldades enfrentadas no dia a dia são reflexos de uma cidade que engatinha na cultura da bike


postado em 20/07/2014 06:00 / atualizado em 20/07/2014 07:52

Gustavo Andrade reclama da falta de consciência dos pedestres que invadem as ciclovias(foto: Edesio Ferreira/EM/D.A Press)
Gustavo Andrade reclama da falta de consciência dos pedestres que invadem as ciclovias (foto: Edesio Ferreira/EM/D.A Press)

Como dizem os ciclistas, a cidade é diferente e mais interessante de bicicleta. Constatação que a cada dia motiva mais pessoas a vencer os percalços existentes para quem pedala em Belo Horizonte. É que apesar de todas as vantagens de não enfrentar congestionamentos, economizar com transporte público ou gasolina e se exercitar, há muitos desafios para os ciclistas. O trânsito amedronta, a rede de ciclovias é pequena e há muito desrespeito, mesmo nas faixas preferenciais. Para quem está sobre duas rodas, os problemas são reflexos de uma cidade que engatinha na cultura da bike e que, para os mais confiantes e também para a BHTrans, serão resolvidos ao longo do tempo.

O melhor caminho para conhecer as dificuldades é dar uma volta pela capital. Quem usa a bicicleta sofre com as ciclovias que ainda não somam 70 quilômetros e não estão totalmente interligadas. Por isso, precisa se aventurar entre os carros, motos e ônibus. Também convive com outro problema: a falta de paraciclos (suportes físicos onde a bicicleta é presa) e poucos bicicletários, espaços que funcionam como estacionamentos para as bikes. “São poucas as empresas que têm bicicletários e, infelizmente, não dá para deixar a bike na rua, mesmo que com um bom cadeado. O número de furtos é muito grande ”, afirma o voluntário da Associação Bike Anjo BH, Vinícius Mundin, que usa a bicicleta como meio de transporte há seis anos.

Para ele, pontos estratégicos da cidade deveriam contar com locais seguros e com vigilância para a parada de bikes, a exemplo das estações de metrô e dos terminais de transferência do BRT ao longo das avenidas Antônio Carlos e Cristiano Machado, além da Paraná e da Santos Dumont. “Isso facilitaria a integração de modais. A pessoa poderia seguir um trecho de bicicleta e completar o trajeto no transporte público. Seria, inclusive, uma boa saída para se adequar à topografia íngreme de parte da cidade”, afirma.

Mesmo nas ciclovias, locais onde o ciclista tem preferência, são muitos os problemas. O motorista Marco Aurélio Santos, de 48, usa a bicicleta para a prática de atividade física na Via 204, no Bairro São Gabriel, mas muitas vezes precisa sair da pista exclusiva, invadida por pedestres. "Aqui, ninguém respeita a ciclovia. Agora, às 9h, ainda é possível pedalar. No fim da tarde, é inviável. Então, nem tiro a bicicleta de casa neste horário", disse Marco Aurélio enquanto pedalava com um amigo.

Risco entre os carros

A falta de segurança no trânsito nos trechos sem ciclovia é outro obstáculo para o aumento do número de ciclistas. Morador da Região Norte, o auxiliar de serviços gerais Gilson Araújo, de 38, conta que gostaria de seguir para o trabalho de bicicleta, mas não se sente seguro. “Queria que a ciclovia passasse por toda Cristiano Machado. De vez em quando, me arrisco entre os carros”, contou Gilson, enquanto pedalava na Via 240.

Mesmo em locais com espaço demarcado para ciclistas, a desinformação e o desrespeito atrapalham. Além de pedestres transformarem ciclovias em pistas de caminhada, motos usam as faixas para fugir do trânsito parado. Acostumado a usar a ciclovia da Rua Fernandes Tourinho, na Savassi, para trabalhar, o programador de sistemas Gustavo Andrade, de 28, relata as dificuldades. “Quando peço passagem aos pedestres na ciclovia, a maioria nem sabe que está em uma via exclusiva de ciclistas”, conta. Ele ainda comenta que no retorno do trabalho, por volta das 18h, os problemas são maiores. “Encontro muitos carros estacionados na ciclovia e vejo motociclistas cortando caminho por aqui”, diz.

Na ciclovia da Rua Fernandes Tourinho, os problemas de infraestrutura e de desrespeito ao ciclista se repetem. Além da pista exclusiva ficar entre as faixas de rolamento e o estacionamento de carros, motociclistas e pedestres invadem o espaço com grande frequência. De modo geral, os motoristas paravam sobre a ciclovia para embarque e desembarque de passageiros ou porque estava em fila dupla, à espera de uma vaga para estacionar.

No quarteirão entre as ruas Levindo Lopes e Rua da Bahia, recapeamento feito recentemente retirou a marcação da pista preferencial para ciclistas. De acordo com a BHTrans, o piso da ciclovia da Fernandes Tourinho será refeito. Sobre os desrespeitos, informou que à medida que a implantação de ciclovias avançar, a conscientização será maior por parte de todos.

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