Publicidade

Estado de Minas

Torcedores aproveitam a Copa para percorrer Minas de carro, bicicleta e motorhome

Espírito aventureiro se tornou aliado da paixão pelo futebol. Veja as histórias de alguns turistas


postado em 23/06/2014 00:12 / atualizado em 23/06/2014 08:11

De avião, ônibus, carro e até bicicleta, torcedores latino-americanos têm desembarcado na capital mineira para participar da festa do futebol, conhecer outras culturas e compartilhar emoções. Com fôlego de sobra, os ciclistas Ernesto Veintimilla e Andrés Verdezoto percorreram , 7 mil quilômetros do Equador até BH. O peruano César Alberto Vitor Soares comprou um veículo zero quilômetro para trazer a família ao país. Cinco argentinos vieram de motorhome, mas reclamaram dos buracos da BR-040 e de caminhões que trafegam perigosamente por lá.

Os equatorianos Ernesto Veintimilla e Andrés Verdezoto com as
Os equatorianos Ernesto Veintimilla e Andrés Verdezoto com as "magrelas" (foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press)


Haja fôlego!

 

O engenheiro mecânico equatoriano Ernesto Veintimilla, de 31 anos, e o biólogo Andrés Verdezoto, de 30, moram em Loja, na fronteira de seu país com o Peru. A dupla de ciclistas fez um pitstop em BH antes de seguir para o Rio de Janeiro, onde pretende acompanhar o jogo Equador x França, na quarta-feira. “Vamos pedalar 7,3 mil quilômetros”, informa Ernesto, que, a exemplo do amigo, não demonstra sinais de cansaço. Desde 28 de março, os dois percorrem 100 quilômetros por dia. Ernesto e Andrés passaram pela costa peruana, admiraram o Oceano Pacífico, atravessaram a Cordilheira dos Andes em altitudes de até 4,5 mil metros, visitaram Cuzco, a capital do império inca, e conheceram o Lago Titicaca, entre Peru e Bolívia. Enfrentaram frio, neve, chuva forte e sol abrasador, empenhados em divulgar o uso da bicicleta como alternativa ao poluidor trânsito dos centros urbanos. “O melhor foi encontrar a solidariedade dos brasileiros”, afirma Andrés, contando que a dupla pretende fazer um vídeo sobre os lugares visitados. Na volta, a ideia é alternar ônibus, bicicleta e depois navegar pelo Rio Amazonas. “Vai ser chevere”, diz ele. Ou seja, legal, em bom português. (GW)

O peruano César Soares e a família viajaram 5 mil quilômetros até BH(foto: Marcos Michelin/Em/DA Press)
O peruano César Soares e a família viajaram 5 mil quilômetros até BH (foto: Marcos Michelin/Em/DA Press)


Em família

 

O agente de turismo peruano César Alberto Vitor Soares, de 45, conhece Belo Horizonte como a palma da mão. Residente em Lima, ele veio a Minas várias vezes e resolveu inovar nesta Copa. Comprou um veículo 4x4, acomodou a mulher, Maria Luísa, de 37, e os filhos, Maria Paz, de 7, e Santiago, de 5, e pegou a estrada. De Lima a BH, a família viajou 5 mil quilômetros. Soares já levou a turma para conhecer Ouro Preto. “Quero mostrar essas belezas aos meus filhos”, explica. Filho de peruano com mineira, César Alberto gastou sete dias para chegar a BH. Boa parte do atraso se deveu a problemas na fronteira do Peru com a Bolívia. A família perdeu dois dias, pois as autoridades bolivianas exigiram uma série de documentos devido aos carros roubados levados para lá.  Bem-humorado, o agente de turismo conta que assistiu ao jogo de estreia do Mundial numa praça de Corumbá e dormiu em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul. Antes de voltar para casa, a família quer conhecer as Catataras do Iguaçu (PR) e a Argentina. (GW)

O argentino Julian Aguero na cozinha de seu motorhome(foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)
O argentino Julian Aguero na cozinha de seu motorhome (foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)


Lar ambulante

 

Alucinados pela seleção de seu país, cinco argentinos decidiram cruzar o Brasil no conforto de um motorhome, que conta com cinco camas, cozinha, banheiro e sala de estar. O grupo chegou à capital na quinta-feira e pensou em estacionar em frente ao Mineirão, mas não foi possível. Fritz Catzina, de 48 anos, preocupava-se com a segurança do veículo, um modelo alemão de 1962. “No Rio de Janeiro, não houve problema. Paramos em Copacabana, a poucos metros da Fan Fest e do mar. Usávamos o banheiro público da praia”, contou o empresário Julian Torres Aguero, de 53.  Os hermanos tiveram sorte, diferentemente de holandeses que se viram obrigados a deixar seu “ônibus 100% laranja” para trás, devido a contratempos mecânicos. “Houve apenas problemas pequenos, fáceis de resolver”, informou Fritz. Ele considerou “boas” as estradas brasileiras, mas não poupou a BR-040. “Perto de Congonhas, há muitos buracos e os caminhões passam em alta velocidade”, reclamou. (VL)

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade