A rua se chama Platina, mas, diante de tanto abandono, ela perde o brilho, valor histórico e admiração dos moradores e comerciantes do Bairro Prado, na Região Oeste de Belo Horizonte. Na via pública estreita e irregular, pela qual passaram as primeiras carroças com material para construção da nova capital de Minas, sobram problemas, entre eles buracos no asfalto, bueiros entupidos e rede pluvial antiga, que já não dá vazão à água da chuva, o que causa inundações. O asfalto está trincado e placas do pavimento se soltam com o grande fluxo de veículos. São mais de 1 mil carros transitando a cada hora no período da tarde, somente no sentido Centro/bairro, segundo a BHtrans, e a quantidade de ônibus e caminhões carregados deterioram ainda mais a pista.
A Rua Platina é o maior ponto comercial do Prado, mas o seu aspecto afasta a freguesia e desanima lojistas. Os buracos se estendem por calçadas e são armadilhas para a professora aposentada Judite Rodrigues da Costa, de 72 anos, que se sente insegura para caminhar pelo passeio, principalmente à noite. A Platina é o principal corredor de trânsito do Prado, segundo ela, e é via de acesso à PUC Minas Coração Eucarístico e ao Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet). “O asfalto é precário e a prefeitura deveria tomar uma providência”, cobra a professora.
Adair Gomes Ferreira, de 61, dono de lanchonete na esquina com Rua Monsenhor Domingos Pinheiro, conta que quando chove a água fica empoçada na pista, mas o problema maior não são os bueiros, limpos de vez em quando, e sim a rede pluvial. “A tubulação é antiga e estreita”, disse o comerciante, que ironicamente chama a rua de Rio Platina.
O frentista Hélio Gonçalves Maciel, de 51, trabalha em um posto de combustível na esquina com a Rua Topázio. Ele mostra que há seis bueiros em frente, “mas que não servem para nada quando chove”. “A água atinge as bombas de abastecimento e nos obriga a parar de trabalhar. A enxurrada leva tudo do posto. Há três meses, levou até o carro de um policial que estava estacionado aqui.” Segundo ele, recentemente uma motorista ficou apavorada, sem saber por onde passar com o carro, pois tudo estava encoberto pela água, e ela destruiu as rodas do veículos no meio-fio. “Aqui, se a pessoa não sabe nadar, não pode trabalhar”, brinca o colega de trabalho dele, Otacílio Ornelas França, de 45.
Na esquina com Rua Diorita, a inundação passa de 40 centímetros de altura e invade a loja de empréstimo consignado onde Ednalva Ribeiro, de 40, trabalha. “A água, misturada com esgoto, tem muito lixo e fezes. A gente fecha as portas de vidro para não entrar a sujeira, mas nada segura a enchente.” Um vídeo gravado pela colega dela, Andréia Aparecida Tibães, mostra o desespero das funcionárias quando a água atinge suas mesas de trabalho.
A vendedora Mírian Braga, de 32, conta que também já viu carros sendo levados pela enxurrada. “Até uma mulher foi arrastada uma vez. Quando a água vai embora, a rua fica cheia de pedaços de asfalto”, disse, mostrando fragmentos que entupiam uma boca de lobo.
A vendedora Vera Lúcia Ferreira, de 34, se revolta com os carros que passam nas poças d’água em alta velocidade e molham os produtos esportivos da sua loja. “Tenho que tirar o manequim da porta. Muita gente toma banho na calçada quando passa um carro.” Os problemas da Rua Platina estão longe de serem resolvidos. A Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) informou que não há recapeamento previsto para a via, pois será necessário um serviço prévio de drenagem pluvial, cujo projeto se encontra em desenvolvimento na Regional Oeste..