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Estado de Minas

Bloco cirúrgico fechado por inundação deve ser reaberto nesta segunda

O bloco cirúrgico do Hospital Universitário Clemente de Faria, em Montes Claros, foi inundado durante temporal nesta quinta-feira


postado em 06/04/2014 06:00 / atualizado em 06/04/2014 07:28

O bloco cirúrgico do Hospital Universitário Clemente de Faria, em Montes Claros, Norte de Minas, deverá ser parcialmente reaberto nesta segunda-feira. As cirurgias estão suspensas desde quinta-feira, quando um forte temporal inundou uma das alas da unidade de saúde ligada à Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). O telhado está em reforma e a água passou pelas saídas do ar-condicionado, atingindo equipamentos, materiais e medicamentos. Apesar da cooperação de outros hospitais do município, muitos pacientes preferem garantir atendimento médico em Belo Horizonte. A diretoria espera normalizar os procedimentos de urgência e emergência até o fim da semana.

“O telhado era muito antigo e estava apresentando vazamento desde o último período chuvoso, tanto na UTI neonatal quanto no bloco cirúrgico. Tivemos problemas até de interrupção de cirurgia”, esclarece a médica infectologista Cláudia Rocha Biscotto, diretora assistencial do Hospital Universitário. A reforma, que começou há cerca de duas semanas, estava programada para um período tradicionalmente seco em Montes Claros. Na noite de quinta-feira, porém, choveu mais que o previsto para o mês inteiro e, como uma das alas estava sem telhado, a água entrou sem dificuldade. Por sorte, as salas de cirurgia não estavam ocupadas e os funcionários conseguiram impedir um estrago maior.

Ainda não dá para estimar o valor do prejuízo. Amanhã, os equipamentos do bloco cirúrgico atingidos pela chuva, como carros de anestesia e focos (iluminação de teto), serão analisados por técnicos. Como não estão totalmente secos, os funcionários temem ligá-los e provocar um curto circuito. As salas, portanto, estão totalmente interditadas e, desde sexta-feira, foram canceladas todas as cirurgias eletivas, entre elas ortopédicas e pediátricas. “Infelizmente, alguns pacientes vão ficar mais tempo internados, outros estão em casa esperando a cirurgia”, lamenta a diretora assistencial. Os outros hospitais de Montes Claros, especialmente a Santa Casa, abriram as portas para realizar mais procedimentos de urgência e emergência.

A água também atingiu todo o estoque de materiais médico-hospitalares esterilizados, o que interrompeu momentaneamente os atendimentos no bloco obstétrico. Com a chuva, houve dano na parte elétrica das autoclaves, máquinas usadas para a esterilização, e as duas em funcionamento (uma já estava com defeito) estragaram. Técnicos conseguiram consertar uma delas no fim da tarde de sexta-feira. Caso um número suficiente de equipamentos volte a funcionar amanhã, pelo menos uma sala para urgência e emergência poderá ser reaberta. As cirurgias eletivas vão continuar suspensas. “Estamos na torcida para que não tenha tido danos maiores. Alguns aparelhos de anestesia são novos e de ultimas geração. Estamos com medo da resposta que vai vir no início da semana”, confessa Cláudia.

As internações na UTI neonatal, que fica ao lado do bloco cirúrgico, também foram suspensas, o que agravou ainda mais o problema de déficit de leitos para recém-nascidos em Montes Claros. “Já estávamos com 10 leitos de terapia neonatal ocupados e três bebês precisavam de UTI. É um problema crônico de superlotação”, afirma Cláudia Biscotto. O Hospital Universitário Clemente de Faria recebe pacientes de 86 municípios do Norte de Minas e Cláudia informa que a unidade de saúde vive no limite. A intenção era liberar leitos que seriam usados por pacientes de cirurgias eletivas. Ontem de manhã, por exemplo, havia 22 pessoas internadas no pronto-socorro.

BELO HORIZONTE Os temporais da semana passada também danificaram parte do Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. Na terça-feira, a chuva inundou os setores de politraumatizados, reanimação, raio-x e tomografia, levando ao comprometimento das placas de revestimento térmico e acústico do teto, feitas com fibras de vidro. Dois tomógrafos foram danificados pela água.

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