Jornal Estado de Minas

Manifestantes estão com o pé nas ruas e o olho na Copa

Governo se prepara para negociar e evitar transtornos. Polícia Rodoviária Federal em Minas elaborou manual para lidar com manifestações

Guilherme Paranaiba, Tiago de Holanda, Flávia Ayer e Valquiria Lopes

TRANSPORTE - Protesto por redução do preço das passagens de ônibus começou na Avenida Afonso Pena e se estendeu para a Estação Central, onde PM impediu a invasão dos manifestantes - Foto: MARCOS VIEIRA/EM/D.A PRESS


As manifestações nas ruas durante a Copa das Confederações, no ano passado, foram prenúncio do que viria em 2014, com a realização da Copa do Mundo no Brasil, prato cheio para protestosNão foi preciso nem um mês para as previsões se confirmaremNessa quinta-feira, houve protestos no Centro de Belo Horizonte,  em Contagem, na região metropolitana, e no interior, principalmente por redução do preço das passagens de ônibus, que gerou a grande mobilização em 2013Há 15 dias, moradores da Vila da Luz, no limite de BH com Sabará, interditaram a BR-381, para reclamar de demolição de casas e cobrar a revitalização do Anel RodoviárioDe olho na Copa, a Polícia Rodoviária Federal em Minas elaborou manual para lidar com manifestações e está se reunindo com representantes da corporação de outros estados para aperfeiçoar técnicas de negociação e discutir a formação de novos grupamentos de choqueJá a BHTrans, em acordo com a Polícia Militar e a Guarda Municipal, pretende manter a orientação de restringir manifestantes em uma pista para evitar congestionamentos.

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No fim da tarde de ontem, cerca de 120 pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, se concentraram na Praça Sete, no Centro de BH, e seguiram para a frente da prefeitura, na Avenida Afonso Pena, para cobrar redução das tarifas de ônibus, considerando que o Executivo cancelou o Custo de Gerenciamento Operacional (CGO) pago pelas concessionárias de transporteNo início da noite, os manifestantes saíram em passeata até a Estação Central do metrô, onde alguns conseguiram descer a escadaria da entrada principalMas a grande maioria foi barrada por uma fileira de policiais do Batalhão de ChoqueHouve bate-boca e empurrõesUma parte do grupo correu para um acesso lateral da estação, e a polícia usou spray de pimenta para evitar a entrada, segundo o capitão Tiago Botelho, do Batalhão de Eventos.

Na confusão, cerca de 20 manifestantes conseguiram pular as catracas da estaçãoSegundo André Veloso, um dos organizadores do ato e integrante do coletivo Assembleia Popular Horizontal, o objetivo era concluir o protesto entrando no metrô sem pagar, já que uma das reivindicações era a implantação da tarifa zero

PMs desceram a escadaria e formaram nova fileira depois das catracas“Quisemos evitar uma invasão em massa”, explicou o capitão BotelhoA PM teve o apoio de agentes da Polícia Federal FerroviáriaApesar do tumulto, o metrô funcionou normalmenteNinguém foi preso ou ficou ferido.

Em Uberaba, no Triângulo, manifestantes também foram às ruas em protesto pacífico para contestar o aumento de passagens  anunciado pela prefeituraO movimento durou duas horas, na Praça Rui Barbosa, no Centro, segundo a PM.

Passeata - Funcionários dos Correios fizeram manifestação para reclamar de mudanças no plano de saúde da categoria - Foto: EDÉSIO FERREIRA/EM/D.A PRESS
Ainda na manhã de ontem, funcionários dos Correios suspenderam o trabalho e foram às ruas de BH protestar contra as mudanças no plano de saúde da categoriaSegundo o sindicato da categoria, os trabalhadores rejeitam a mudança no plano, que hoje só é cobrado quando há demanda por algum serviçoO grupo não quer que empresas privadas assumam o plano e cobrem mensalidade, mesmo sem demandaOs manifestantes saíram do edifício dos Correios na Afono Pena e foram até o ambulatório da instituição, na Avenida Assis Chateaubriand, retornando para o ponto inicialHouve bloqueio de tráfego
Cerca de 400 pessoas participaram do protesto, que deve continuar hoje cedo
Em nota, os Correios informaram que cumprem decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) sobre planos de saúde, garantindo todos os benefíciosSegundo o texto, a paralisação não foi grande e as agências funcionaram normalmente

Em Contagem, moradores de uma vila fecharam a Via Expressa entre os bairros Perobas e Parque São João para cobrar desativação de um depósito de lixoA interdição começou por volta das 8hParte dos moradores da Vila Beatriz puseram fogo em pneus e fecharam a circulação no sentido BHEles querem a retirada de um lixão que, segundo eles, exala mau cheiro e põe a saúde em riscoO trânsito foi liberado no fim da manhãOs manifestantes também pediram  implantação de um posto de saúde na vila

Por meio de nota, a Prefeitura de Contagem informou que uma equipe foi enviada para avaliar o depósito de lixo, mas garantiu que o local recebe entulhos da construção civil em caráter temporário para reciclagem e que não há odor forteSobre o posto de saúde, informou que há duas unidades  para atender moradores da Vila Beatriz nos bairros Parque São João e Eldorado

MANUAL PARA PROTESTOS

O chefe de comunicação da PRF/MG, inspetor Aristides Júnior, informou que a linha de atuação da corporação será mantida: “Aprendemos muito com as manifestações do ano passado e a orientação é sempre negociar, sem confronto”A corporação, no entanto, busca se aprimorar“Elaboramos um manual e estamos tendo várias reuniões para traçar estratégias melhores nas manifestações em rodovias”, acrescentouA formação de mais grupamentos de choque é outra novidadeHoje são dois grupos, no Rio e em Brasília“Vamos aumentar o efetivo e avaliar em quais estados será necessário”, afirmou

Já a BHTrans informou que mantém reuniões de rotina com a PM e a Guarda MunicipalA orientação em protestos é manter os manifestantes em uma pista para evitar congestionamentosNo ano passado, a prefeitura conseguiu liminar para limitar a apenas um terço da pista o espaço para manifestações que ocorreram em maio

    Como ficou?

Cobranças feitas em 2013

Sem novas passarelas

Algumas reivindicações levadas às ruas nas manifestações de 2013 ainda nem mesmo saíram da promessaUm exemplo é a instalação de novas passarelas no Anel Rodoviário, em Belo Horizonte, que depende do início das obras de revitalização da viaMesma situação é enfrentada na BR-381, na altura do Bairro Citrolândia, em Betim, na Grande BHApesar de no trecho de três quilômetros existirem três passarelas, moradores cobram novas travessiasEm Sabará, na mesma região, as melhorias pedidas para o transporte público no Bairro General Carneiro não avançaram, bem como não foi construída a passarela na BR–040, altura do Bairro do Pires, em Congonhas, na Região CentralNeste caso, a aprovação do projeto previsto para outubro só ocorreu em janeiroAs obras estão em fase de licitação e devem ser concluídas até julho, segundo a prefeitura