As unhas recém-cuidadas e pintadas por um esmalte da moda contrastam com o uniforme vermelho da Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi), nova vestimenta de Andréa Brant Ladeira, de 55 anos, considerada a maior estelionatária da Zona Sul de Belo HorizonteAcostumada a dar calotes em comerciantes dos bairros Mangabeiras, Sion e Cruzeiro, entre outros da região, a golpista apresentada nessa terça-feira disse aos policiais da 3ª Delegacia Sul que agia havia mais de 10 anos fazendo compras com cheques furtados e roubados de outras pessoas, sempre adquiridos no Morro do Papagaio, aglomerado do Bairro Santa Lúcia, Centro-Sul da capital
Estima-se que ela tenha causado um prejuízo de cerca de R$ 120 mil com pequenos mimos de qualidade que se espalhavam por todos os tipos de comércioRoupas, artigos de decoração e supermercados eram os preferidosO que mais chama a atenção é que Andréa não se preocupava em morar em frente à unidade policial que a investigavaPara prendê-la na semana passada, os agentes precisaram apenas atravessar a Rua Chicago, no Bairro Sion, onde ela vivia com uma filha.
Um dos responsáveis pelo inquérito, o delegado Samuel Neri explicou que Andréa está relacionada a pelo menos 18 ocorrências de estelionato e sua prisão preventiva é fruto de um trabalho de seis meses de investigaçãoNa prática, ela comprava, no Morro do Papagaio, talões de cheques furtados ou roubados e os repassava quando fazia compras na Região Centro-Sul da capitalMuitas vezes, os talões eram obtidos em furtos de veículos e levados para o aglomerado, onde são comercializados“Ela escolhia pequenos comércios, que tinham menor controle sobre os chequesInventava assinaturas e também dava nomes falsos”, diz o delegadoAs investigações mostraram que a estelionatária foi casada com um empresário rico e se acostumou com uma vida de alto padrão
FLAGRANTE
Em 2004, a mulher, que tem formação superior em psicologia, foi presa em flagrante por uma ocorrência de estelionato, mas, mesmo condenada, acabou respondendo em liberdadeDesta vez, a polícia espera uma pena superior a 15 anos de prisão, somando todos os casos relatados por vítimas e também outros dois crimesUm deles é a falsificação de documentos, já que ela alega ter comprado atestados médicos falsos que chegaram a ser repassados até para a própria Polícia Civil, com o objetivo de escapar das intimações para ser ouvidaOutro crime pelo qual o delegado Samuel Neri pretende indiciá-la é a corrupção de menores, já que Andréa usava uma filha de 16 anos para visitar os comércios e, consequentemente, ganhar mais credibilidade em suas compras de luxoA menina também era a responsável por atender as pessoas que procuravam a mãe para cobrar as dívidasHá suspeitas de que desde os 12 anos ela acompanhava Andréa nos golpes praticados.
A polícia chegou a investigar também um sargento que trabalha no setor administrativo da Polícia Militar, atual companheiro da golpistaNa casa dela foram encontradas três folhas de um receituário do Hospital da PM, o que atraiu a desconfiança dos policiaisMas, segundo o delegado, a caloteira assumiu que acompanhava a mãe dele em consultas ao hospital“Em uma dessas visitas ela disse que aproveitou a distração dos funcionários e subtraiu as três folhas”, afirma o delegadoUm bloco de atestados em branco e um carimbo de um médico de uma clínica do Bairro Cruzeiro também foram encontrados