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Estado de Minas

Morre, aos 80 anos, o cronista e jornalista mineiro Márcio Rubens Prado

Conhecido pelo texto único, a paixão pela arte e as mulheres, além da habilidade de contar histórias, escritor faleceu na madrugada desta quarta-feira


postado em 08/01/2014 11:39 / atualizado em 14/01/2014 17:40

(foto: Bruno Sales/Divulgação)
(foto: Bruno Sales/Divulgação)

Um dos maiores cronistas de Minas e do país, o jornalista Márcio Rubens Prado faleceu na madrugada desta quarta-feira, em Belo Horizonte, aos 80 anos. Conhecido por seu belo texto, a paixão pela arte, a boemia e as mulheres, além da habilidade única em contar histórias, que sempre encantaram quem estivesse por perto, Márcio estava internado desde o último dia 2, com problemas cardíacos. O enterro será realizado a partir das 13h no velório 7 do Cemitério do Bonfim, e o sepultamento está marcado para as 17h.

Filho de Djalma Prado e Iracy Castro, irmão de quatro homens e uma mulher, Márcio nasceu em 26 de maio de 1933. Mineiro de Guanhães, no Leste do estado, cidade considerada por ele como "o centro do sistema solar", o menino parece já ter crescido finamente pronto para as letras. Com o amigo de infância, Roberto Drummond, fundou o primeiro jornal aos 12 anos, batizado Rio Branco Notícias, que atualizava o que acontecia na rua onde morava. Produzido a lápis em folha de papel almaço, o único exemplar, semanal, era comprado pelo pai do colega de ginásio, e os 10 cruzeiros rendiam uma semana inteira de cinema.

Ainda na escola, Márcio escreveu uma redação policial de ficção que impressionou o professor, que disse ao garoto sobre o talento para ser jornalista. Com essa ideia na cabeça, ele e Roberto vieram para Belo Horizonte, cursar o segundo grau. O trabalho inicial como bancário na capital, antes apenas para arcar com os estudos, resultou em uma indicação para Márcio publicar uma crônica, a primeira, em uma coluna do Diário de Minas. E o emprego no jornal estava garantido.

Foi assim o começo da passagem do jornalista pelas principais empresas de comunicação de BH. No início da década de 1960, depois de aprender línguas neo-latinas na Faculdade de Filosofia da UFMG, deixar o curso superior de Direito por causa de outro jornal de sua autoria considerado subversivo pela direita militar (que rendeu até um "exílio" de quase dois meses em Guanhães), a vida profissional na cidade grande continuou com o percurso por locais como o Diário de Minas, Jornal de Minas, Rede Minas, TV Belo Horizonte, TV Bandeirantes, TV Tupi, para citar apenas alguns. Na TV Itacolomi, participou do início do programa Bola na Área, passou pelo Diário da Tarde, e ainda teve algumas publicações no Estado de Minas. Também foi assessor de comunicação da Ouvidoria Geral do Estado. Pouco antes da morte, estava escrevendo para a revista Matéria Prima e continuava atuando como cronista e revisor de textos.

Amante da literatura (só dormia depois de uma leitura), Márcio começou a incursão pelo jornalismo esportivo, uma de suas principais áreas de atuação, na época da inauguração do Mineirão, e conviveu com grandes nomes da imprensa nesta época. É autor de sete livros e recentemente trabalhava na produção de uma obra sobre sua infância, que ficou interminada. Em entrevista atual, o poeta também enfeitiçado pela música revelou a frustração de não ter sido pianista ("queria ser pianista de boate, ficar ali tocando piano, com um copo de uísque em cima, vendo a mulher da minha vida abraçada com outro, só para eu escrever músicas ainda mais bonitas"). E o sonho de ver o América-MG, time de paixão, ser campeão da Série A.

Um grande desejo? Viver o máximo possível, respondeu na ocasião. Por mais que agora esteja, na família e nos amigos, o vazio, o exemplo que fica é mesmo esta sede pela vida, a vontade constante de ser feliz, a sensibilidade de dentro, celebrada nas pequenas coisas e nos encontros de boa prosa, que fizeram de Márcio um ser eterno, permanente mesmo de longe, nunca esquecido. Saindo deste mundo por causa do "coração pisoteado pelas donas", como costumava brincar, ele deixa quatro filhos e três netos.

Governador lamenta morte

Em nota o governador Antonio Anastasia (PSDB) lamentou a morte do jornalista. “Minas Gerais perdeu, na madrugada desta quarta-feira, um dos maiores jornalistas e cronistas do cotidiano, com a morte de Márcio Rubens Prado. Nascido em Guanhães e fiel torcedor do América, Prado nos deixa uma bela história no campo do jornalismo, que revela seu apuro na profissão, e uma obra literária apaixonada, fruto de sua habilidade ímpar de contar histórias. Em nome de todos os mineiros, transmito meus mais profundos sentimentos à sua família, aos colegas e amigos.”


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