Jornal Estado de Minas

Parte de rua cede e moradores precisam deixar prédio, no Bairro Cruzeiro

Um poste da Cemig ameaça cair e terá de ser removido. Suspeita é de que uma obra esteja provocando as rachaduras na via

Clarisse Souza
Poste afundou na Rua Cabo Verde. Moradores dos prédios ao lado precisaram deixar os apartamentos até que seja feita vistoria - Foto: Gilmar Laignier/EM/D.A.Press


Moradores de um prédio na Rua Cabo Verde, no Bairro Cruzeiro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte deixaram seus apartamentos na tarde desta terça-feira por determinação do Corpo de Bombeiros, que interditou o imóvel depois que parte da via cedeuSegundo informações do tenente Daniel Silva, a corporação aguarda a chegada do engenheiro responsável pelo imóvel para saber se há risco de desabamentoUm poste da Cemig está afundando desde as 8h da manhã e funcionários da companhia trabalham neste momento para realocar a estruturaA energia elétrica foi desligada em 570 imóveis e só será restabelecida às 18h, segundo informações da empresaA Copasa também trabalha no local, já que houve abalo na rede de fornecimento de águaA Defesa Civil também está no local para avaliar se a estrutura do prédio foi abalada.

Veja as fotos do trecho que cedeu na Rua Cabo Verde


O clima entre os moradores do prédio de quatro andares é de angústia, já que eles não sabem se poderão voltar para casa nesta véspera de Natal"A situação está crítica", denúncia a bióloga e terapeuta Silvana Félix de Assis, que mora em um prédio ao lado da obraEla estava fora de casa quando a rua foi interditada, e só teve tempo de pegar alguns documentos"A gente lutou um ano e meio com a Defesa Civil, com a empresa e a prefeituraÉ um caso muito sério de descaso, dinheiro na frente de tudo", lamenta.

A bancária Selma Carvalho Costa de Lacerda também mora em um prédio ao lado do imóvel interditado e faz as malas para deixar seu apartamento"Os bombeiros disseram que, por precaução, é melhor sair

Já estávamos com medo disso acontecer há vários dias, mas depois que a chuva aumentou, a situação piorouA rua está cedendo há vários dias, mas ninguém fez nada", reclama a moradora

Na semana passada, o em.com.br mostrou a situação na Rua Cabo VerdeVizinhos acreditam que a rua esteja cedendo devido a uma obra que é feita no local há cerca de um ano"Buritis está se repetindo no Cruzeiro", disse a médica Maria de Fátima Ribeiro de Castro, que mora no edifício do número 297, bem em frente à construçãoEla se refere ao problema causado pelo corte de um terreno na Rua Laura Soares Carneiro que resultou, em 2011, no desabamento de um prédio e na demolição de outroA construtora responsável pela obra no Cruzeiro assumiu a responsabilidade pelas intervenções, mas garantiu à reportagem na semana passada que a estrutura construída é segura

De acordo com a médica, a LVG Participações LTDA começou a mexer no terreno, que fica na esquina da Cabo Verde com Rua Muzambinho, há mais de um anoDuas casas foram demolidas para a construção do novo prédioSegundo Maria de Fátima, nesse período, a obra do prédio foi embargada, mas a empresa apresentou soluções para liberar a escavação do terreno
A moradora relatou os prejuízos que a vizinhança teve por causa da movimentação do terreno, como rachaduras enormes em apartamentos

A médica afirma que a construtora escavou o terreno para construir o edifício abaixo do nível da rua, mas não montou uma contenção para evitar o deslocamento de terra no período chuvosoEla relata que uma fenda está se abrindo na Rua Cabo Verde"Com a chuva, está um lago dentro da obraA rachadura só foi ampliandoA coisa é tão escusa que a construtora vem na calada da noite e vai tampando as rachaduras para a gente não ver, põe piche para a gente não ver", denuncia.

Com informações de Luana Cruz, Cristiane Silvia e Valquíria Lopes