Água está quase valendo ouro em Pará de Minas, no Centro-Oeste do estadoA população está sendo obrigada a racionar o produto há quase um mês, por causa da suspensão do abastecimento a cada 24 horasA falta do serviço tornou a vida dos moradores “insustentável”, segundo o prefeito Antônio Júlio (PMDB), que decretou estado de calamidade na sexta-feiraSegundo a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), o problema é o nível dos mananciais, que está muito abaixo do normal, devido à seca que atinge a região há quase dois anos
O ideal para a cidade, que tem aproximadamente 85 mil habitantes, seria uma vazão de 240 litros por segundo para ficar abastecida, mas o serviço já chegou a 75 litros por segundo no fim de semana“Nos 30 anos que a Copasa está em Pará de Minas, nada foi feitoNão houve melhorias, e o contrato com a empresa deveria ter sido renovado em 2009, o que não ocorreuIsso tudo nos levou a esse grave problema que estamos enfrentando”, dizAinda de acordo com o prefeito, as providências estão sendo tomadas e, com o estado de calamidade decretado, as soluções devem aparecer o quanto antes“Com isso, extingui-se qualquer necessidade de se abrir uma licitação para iniciar obrasAs burocracias deixam de existir e fica mais fácil planejar ações que visem acabar com o problema”, explica
O gerente do distrito de Contagem da Copasa, que atende Pará de Minas, José Antônio Ribeiro Portella, afirma que a empresa não pode ser responsabilizada pelo racionamento na cidadeEle explica que, desde 2009, a Copasa tem procurado renovar o contrato com o município, mas a administração não aceitou nenhuma proposta“Ficamos nesse impasse muito tempoSeria necessário um investimento de R$ 100 milhões para sanar o problemaComo a empresa iria investir esse valor em uma cidade que não renovou o contrato? Com esse investimento, conseguiríamos garantir um abastecimento para Pará de Minas pelos próximos 100 anos”, garantiu.
AÇÕES
Para tentar amenizar a situação, a Copasa apresentou para o Poder Público 16 ações imediatas, como a construção de poços para reforçar o sistema de abastecimentoDos 16 já furados, apenas em seis foi encontrado águaDe acordo com o responsável pela Copasa em Pará de Minas, José Gomes Ferreira, outros quatro poços devem ser furados“Pará de Minas fica em uma região que, pela própria geografia, sofre com a falta de águaAtualmente, estamos buscando água nas cidades de Igaratinga, Florestal e JuatubaA chuva no domingo ajudou a melhorar a situação, mas o problema ainda existe e é grave”, disse
Enquanto o serviço de abastecimento não é restabelecido na cidade, moradores têm que buscar soluções alternativas para enfrentar a criseNa casa de Zenita Maria Jacinto, de 66 anos, o jeito foi encher os baldes“Não tem nem como tomar um banho direitoTem que reaproveitarA água que eu lavo roupa, que normalmente ia para o ralo, serve agora para lavar o chãoMesmo com a situação como está, no mês passado pagamos mais de R$ 100 na conta de água”, contou.
A dona de casa Terezinha Ferreira da Silva, de 60, também reclamaEla afirma que, se não fosse a caixa-d’água, que garante uma reserva mínima para os dias de seca, o problema seria ainda maior“Já fiquei três dias sem águaTenho a caixa, mas não dura tantoPara prevenir, o jeito é encher o baldeAqui em Pará de Minas a gente vive assim agoraPrevenindo para poder tomar um banho no final do dia”, ressaltouSegundo a assessoria do governo de Minas, “a Defesa Civil de Minas Gerais ainda não foi notificada pela prefeitura sobre decreto de situação de emergência, mas está pronta para atuar caso seja necessário”.