Jornal Estado de Minas

Comissão de Direitos Humanos vai pedir soltura de jovens detidos nos protestos de BH

A Comissão também vai apurar denúncias de abusos e agressões por parte da polícia durante as manifestações do último sábado, Dia da Independência

João Henrique do Vale
Após as manifestações, 15 pessoas seguem presas em Belo Horizonte - Foto: João Miranda/Esp.EM/D.A.Press

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) vai apurar denúncias de abusos por parte de policiais durante as manifestações realizadas no último sábado em Belo HorizonteFamiliares e advogados das 15 pessoas que continuam detidas por causa dos protestos afirmaram que os jovens foram agredidos e tiveram os cabelos raspadosO presidente da comissão, Durval Ângelo (PT), afirmou que vai visitar os detidos e também vai pedir um habeas corpus para que eles sejam soltos

Advogados e familiares contaram que dois detidos afirmam que foram agredidos por policiais após a detenção“Algumas pessoas nos levaram fotos tiradas por advogados de jovens agredidosTodos tiveram cabelos raspados, isso é abusoVários advogados da OAB que lá estiveram e levantaram que foram cerceadosUma defensora disse que também foi agredida por um tenente da Polícia MilitarEsses casos serão apurados”, explica o deputado Durval Ângelo (PT)

Veja as imagens dos protestos de 7 de setembro

Durante as manifestações no Dia da Independência, 46 pessoas foram capturadas pela Polícia Militar (PM)Desse total, 11 eram menores e idade e foram liberados depois de prestar esclarecimentos
Os maiores de idade serão alvo de investigação o policial, sendo que 15 deles continuam detidosDesses, seis vão responder por constituição de milícia, crime inafiançável previso no artigo 288 do Código Penal e que pode render de quatro a oito anos de prisãoDe acordo com a polícia, eles estavam na confusão da Praça da Liberdade, sendo que um deles confessou ser integrante do grupo Black BlocTodos os presos vão responder por depredação do patrimônio público e desacato a autoridadeAlguns deles, também foram autuados por corrupção de menores e resistência à prisão

A Comissão de Direitos Humanos vai tentar nesta terça-feira, junto ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), a soltura dos jovens“No Brasil, 400 pessoas foram presas durante as manifestações e somente 22 continuam presasDestas, 16 são em Minas Gerais, então tem uma distorção neste pontoEm alguns estados as pessoas continuam presas porque tinham passagens pela polícia, e pelo que conversamos com os familiares a maioria nunca foi preso anteriormente”, disse Durval Ângelo

O presidente da comissão também criticou a autuação dos detidos pelos crimes de formação de quadrilha e crime de mando
“Aqui (em Minas) foi o único local que enquadrou no esquema de quadrilha ou mando, balburdia e confusão de rua não pode ser enquadrado em quadrilha e mando, isso foi encomendado”, sugeriu o deputado

Nesta quarta-feira, a comissão vai fazer uma visita aos presos juntamente com representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), sindicato dos advogados e a ouvidoria da polícia

Familiares e amigos dos detidos fizeram uma manifestação na porta da delegacia onde eles seriam apresentados pela Polícia Militar - Foto: Maria Tereza Correia/EM/D.A.Press

Apresentação cancelada

As 15 pessoas detidas seriam apresentadas na manhã desta quarta-feira na na 1ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp), na Praça Rio Branco, no Centro da capitalPorém, a coletiva de imprensa foi desmarcada pela polícia por motivos de segurança, já que, aproximadamente 30 manifestantes cercaram o prédio em apoios aos jovensVeja abaixo o nomes dos presos

Autuados por constituição de milícia:

Tiago Gomes Pereira
Marco Antônio Corteletti
Anderson Augusto Viana
Jean Marcos Rocha da Silva
João Leonardo Martins
Robson Marciano do Nascimento

Outros presos:

Fábio Pereira Toledo
Enieverson Mendes Rodrigues
Douglas Ricardo da Silva
Lucas Tadeu Vaz Pereira
Alan Cotrim Mapa
Rodrigo Gonzaga Avelar
Janderson Alves Luis
Victor Rodrigues da Silva
Reinaldo Pires de Ávila