Jornal Estado de Minas

Aperte o cinto: o GPS pirou

EM testa diferentes aparelhos com sistema de orientação e constata: deu a louca no GPS

Teste foi feito a partir de queixas de motoristas. Seguir as orientações do GPS à risca pode levar a armadilhas, becos sem saída e até provocar acidentes graves

Jorge Macedo - especial para o EM
Guilherme Paranaiba



- Foto: Lelis / EM / DA Press
Criado com o objetivo de orientar trajetos no trânsito cada vez mais intenso das cidades, o dispositivo eletrônico conhecido como sistema de posicionamento global (GPS, na sigla em inglês) evoluiu a ponto de atualmente estar presente em larga escala nos veículos e em praticamente todos os novos telefones celulares do mercado, os chamados smartphonesPorém, em uma cidade tomada por obras e com constantes mudanças nas mãos de direção – além de vias sem saída, conversões proibidas e outras situações rotineiras no tráfego de qualquer metrópole –, é cada vez mais comum cair em armadilhas criadas pela tecnologiaSeja por falta de atualização constante dos mapas, seja pela velocidade com que as mudanças ocorrem, superando a capacidade dos sistemas, usuários do GPS estão sujeitos a ser conduzidos ao erro pelos aparelhos e até provocar acidentes.

A partir de falhas relatadas por motoristas, a equipe do Estado de Minas foi às ruas de Belo Horizonte e testou dois aparelhos de marcas diferentes, constatando problemas em ambosO primeiro avaliado foi um telefone celular de uma das empresas líder do mercado internacional, usando o software de mapas de outra empresa que é referência no ramoO outro foi um dispositivo que funciona apenas como GPSPara os dois foram lançados três trajetos cada, somando seis possibilidades diferentesO resultado foram quatro erros e dois acertos, mostrando que o usuário deve estar atento quando recorrer aos meios eletrônicos para chegar até o destino.

No primeiro trajeto, o veículo saiu da Avenida Antônio Carlos no sentido Centro, logo após o Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP), no Bairro São Cristóvão, Noroeste da cidade, e seguiu rumo ao câmpus do Centro Universitário Uni-BH, na Rua Diamantina, Bairro Lagoinha, na mesma regiãoPelas indicações do smartphone, bastava entrar à direita na Rua Rio Novo, direita novamente na Rua Itapecerica e mais uma vez à direita na Comendador Nhome Salomão, atravessar a Antônio Carlos e chegar à Rua DiamantinaO caminho seria excepcional se o motorista pudesse ignorar os canteiros centrais da Antônio Carlos, além do trânsito pesado de ônibus e carros em mais de 10 faixas a serem transpostas, em um ponto em que não há travessia para carrosComo se não bastasse, ainda há um barranco para ser vencido até a Rua DiamantinaNesse caso, a orientação do segundo aparelho, que funciona apenas como GPS, foi correta
Ele indicou o caminho até a Rua Formiga, com acesso ao Viaduto Angola, que faz a transposição da Antônio Carlos.

No segundo trajeto, ambos os dispositivos foram reprovadosSaindo da Avenida Afonso Pena, sentido Mangabeiras, na altura do cruzamento com a Rua Rio Grande do Norte, no Bairro Funcionários, Centro-Sul de BH, a ordem dada aos aparelhos foi de seguir até a sede do EM, na Avenida Getúlio Vargas, 291, mesmo bairro e regiãoO celular indicou uma conversão à esquerda na Getúlio Vargas, movimento proibido e capaz de causar acidentes graves caso o condutor resolva seguir a instruçãoJá a opção do GPS começou correta, orientando uma conversão no semáforo da Afonso Pena com a Rua Santa Rita DurãoPorém, falhou ao mandar o motorista seguir pela Rua Piauí, não detectando que o acesso à Getúlio Vargas é impossível por esse trajeto, o que obrigou o condutor a retornar para refazer a rota

NA CONTRAMÃO Por fim, a equipe de reportagem se posicionou na Avenida Professor Mário Werneck sentido Anel Rodoviário, em frente ao Restaurante Rancho Fundo, no Bairro Buritis, Região OesteDado o comando para acessar a Rua Professora Bartira Mourão, via de saída do bairro, apenas o modelo que funciona exclusivamente como GPS indicou o caminho correto, dando a volta pela Rua Ernani Agrícola até chegar à mão corretaO celular sinalizou o caminho antigo, antes da mudança de circulação feita pela BHTrans, que tornou o tráfego de mão única.

Atrasado para um jogo de futebol com amigos, o designer gráfico Leonardo Freitas, de 25 anos, recorreu a um GPS de uma terceira marca na última quinta-feira para ir à Rua Oscar Trompowski, 1.006, no Bairro Gutierrez, Oeste da capitalQuando chegou à região, o motorista encontrou a primeira dificuldade, pois não se lembrava da grafia correta para ordenar o itinerárioComo o modelo só aceita a busca pelo nome exato do destino, ele precisou fazer uma busca no mapa do aparelho
Depois de encontrar a via, foi orientado a entrar em ruas que tinham sentido proibido“Quando consegui chegar à rua certa, o GPS acabou me mandando bem mais para baixo do que o endereço que eu precisavaComo a via só desce, acabei deixando o carro e voltando a pé.”

- Foto: Paulinho Miranda / EM / DA Press