Jornal Estado de Minas

Buritis

Saída para problemas de mobilidade passam pela obra do Anel

BHTrans anuncia que uma das duas intervenções prioritárias para desafogar o tráfego no Bairro Buritis depende da complexa e adiada reforma da rodovia que corta a capital

Guilherme Paranaiba

- Foto: EM/DA Press



Abrir acessos ao Bairro Buritis, na Região Oeste de BH, especialmente via Anel Rodoviário e Avenida Tereza Cristina, aliviando avenidas como Raja Gabaglia, Nossa Senhora do Carmo, Barão Homem de Melo e a própria Professor Mário WerneckApesar de as discussões nesse sentido se repetirem há mais de 10 anos, a BHTrans garante que elas vão sair do papel até 2016, com pelo menos duas novas possibilidades para os quase 30 mil moradores espremidos em ruas e avenidas que há muito não comportam mais a demandaA promessa é do diretor de Planejamento da empresa municipal, Celio Freitas, que lista outras duas intervenções já estudadas, mas ainda sem nenhuma previsão de implantação

A ligação entre a Rua Moysés Kalil e o Anel Rodoviário é considerada prioridade pelo diretor, como parte da reforma da rodovia que corta a cidade“A obra do Anel será licitada no ano que vem e já levamos ao governo do estado nossa vontade de que a parte do Buritis seja feita o mais rápido possível”, diz eleA obra deve possibilitar todos os movimentos entre o bairro e o Anel Rodoviário, como as conversões à esquerda, que hoje não são possíveisEm recente visita a Minas, a presidente Dilma Rousseff anunciou que o edital para as obras do Anel será lançado em fevereiro de 2014, sendo que três trechos terão início um mês antesPorém, nenhum deles contempla a região do Buritis

A segunda intervenção prevista para o bairro – que já está garantida, segundo a BHTrans, com recursos municipais e federais – é a implantação da Avenida Henrique Badaró Portugal, entre as avenidas Professor Mário Werneck e Tereza Cristina“Ela já virá com faixas exclusivas para o transporte rápido por ônibus (BRT, da sigla em inglês) e com uma ciclovia”, anuncia Celio FreitasA Copasa informou que vai disponibilizar recursos para que a Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte (Urbel) faça a remoção das famílias que moram às margens dos córregos Cercadinho e Ponte Queimada, tributários do Arrudas e que definirão o traçado da nova avenida
“A expectativa é de que, na pior das hipóteses, essa obra pelo menos comece em 2016”, diz Celio Freitas.

Ambas as intervenções estão intimamente ligadas com o tráfego do Buritis 2, pois estão bem perto do novo canteiro de obras do bairroÉ um alento para a designer gráfica Leidiane Oliveira, 31, que se mudou para o Buritis 2 em novembro de 2011Junto com o marido, ela optou por um apartamento na Avenida Senador José Augusto buscando a tranquilidade da parte mais alta do bairro, ainda cercado por algumas áreas verdesMas, menos de dois anos depois, ela se assusta com a velocidade com que os prédios surgem nas proximidades“Eu ainda tenho um pouco de sorte, por estar bem perto do Anel Rodoviário, mas, quando isso tudo estiver ocupado, a tendência é parar o trânsitoHoje, mesmo indo de moto, meu marido já enfrenta dificuldades para chegar à Avenida Raja Gabaglia, onde ele trabalha”, diz elaLeidiane mora em um condomínio com seis prédios, totalizando 166 apartamentos“Tive uma vizinha que morou aqui por um ano e desistiu por causa do trânsito”, completa

Segundo a BHTrans, já foi detectada a necessidade de outras duas intervenções no BuritisUma seria a ligação entre a Rua Doutor José Rodrigues Pereira e a Avenida Raja Gabaglia
Outra é a conexão entre a Rua Paulo Piedade Campos e a Barão Homem de MeloNos dois casos, a possibilidade é usar o que os técnicos chamam de desnível, fazendo trincheiras ou viadutosPorém, não há nenhuma previsão sobre o dia em que essas obras sairão do papel.


- Foto: Sidney Lopes/Arquivo EM
Nem o imponente letreiro resistiu ao crescimento

No fim da década de 1980, quando fui trabalhar por aqueles lados, o Buritis era apenas um loteamento com poucas construçõesA Mendes Jr, onde hoje está a UNI-BH, a Dynamis, que deu lugar ao Verdemar, e o posto de gasolina da Rua José Rodrigues Pereira – tenho a impressão que ele já estava lá quando o bairro surgiu –, e não mais do que uma dezena de prédiosA via, aliás, era uma das únicas saídas do bairro, além da Rua Paulo Piedade de Campos, pois a Avenida Mário Werneck não chegava até a Avenida Barão Homem de Melo e a saída para o Anel Rodoviário era de terra (e ruim)Doze anos depois, quando me mudei para lá, o Buritis já era um bairro com vários prédios e moradores, mas ainda era um local tranquilo, com trânsito bom e várias comodidadesNa Rua Vitório Magnavaca, o som das bolas de tênis batendo na quadra Dynamis, do outro lado da rua, penetrava nos quartos nas manhãs de sábadoMas o crescimento acelerado roubou do bairro esses temposNem mesmo o letreiro gigantesco com o nome Buritis, que imperou solene no alto do bairro por muitos anos, resistiu ao crescimento: foi posto ao chão para dar lugar a um dos inúmeros prédios que foram e continuam sendo construídos por aqueles lados(Marcílio de Moraes)