Jornal Estado de Minas

Inventário cataloga na capital 170 mil árvores; murtas são maioria nas ruas

Dados preliminares do inventário das árvores mostram que planta predomina em três regiões da capital, deixando a sibipiruna em segundo lugar. Trabalho deveria ter sido concluído em 2011

Gustavo Werneck
Pequena murta na Rua Alfenas, no Bairro Cruzeiro, disputa espaço no passeio com sacos de lixo - Foto: JUAREZ RODRIGUES/EM/D.A PRESS
A paisagem urbana mostra a sua força e expõe suas carênciasOs primeiros resultados do Inventário de Árvores de Belo Horizonte, com 170 mil espécimes catalogados, revelam que a murta (Murraya exotica L.) e sibipiruna (Caesalpina peltophoroides Benth) predominam em ruas e avenidas da regiões Oeste, Leste e Noroeste da cidadeA árvore símbolo de BH, a quaresmeira (Tibouchina granulosa Cogn), com suas folhas arroxeadas, também ganha destaque, da mesma forma que o ipê rosado (Tabebuia pentaphylla Hemsl), com número expressivo na Região OesteOs dados sobre parte do inventário serão divulgados hoje pelo vice-prefeito e secretário municipal de Meio Ambiente, Délio MalheirosReivindicado há anos por ambientalistas e moradores, o trabalho deveria ter ficado pronto em 2011 e apresenta, além dos tipos de árvores, informações sobre as condições atuais, doenças e outros problemas das plantas


De acordo com os dados preliminares do levantamento, há 31.098 árvores na Região Leste; 58.947 na Noroeste; 53.258 na Oeste; e 16.660, na Centro-Sul (em andamento), sendo 13,3 mil murtas e 10,3 mil sibipirunasNa Centro-Sul, a murta não é das preferidas, ficando em primeiro lugar o jerivá (Syagrus romanzoffiana Glassman)Os técnicos acreditam que o número estimado de 300 mil árvores plantadas nas noves administrações regionais será superado até o fim do serviçoAtualmente, as equipes trabalham na Região Centro-Sul e, por isso, Malheiros vai comemorar o “sucesso” da iniciativa, conforme nota distribuída ontem, na esquina das ruas Kepler e Sagitário, no Bairro Santa LúciaNo local, será catalogada a árvore número 170 mil

Basta andar pela cidade, ainda mais neste tempo seco, com os galhos sem folhas e cores, para ver a situação de vulnerabilidade da flora urbana

E, mesmo assim, as copas oferecem alguma sombra aos moradores e comida aos pássarosDe porte pequeno, a murta está presente na Rua Alfenas, no Bairro Cruzeiro, na Região Centro-SulNa tarde de ontem, era possível ver, no passeio, por volta das 17h, uma fila extensa de sacos de lixoMas um sabiá encontrou nas frutinhas vermelhas o alimento perfeito para a sua dietaFicou ali durante longo tempo, bicou o que pôde, até bater em retirada ao sentir muito movimentoDe acordo com a PBH, a murta já não é mais plantada na cidade, sendo as existentes muito antigas

Ipês-amarelos e quaresmeiras da Avenida Agulhas Negras, no Mangabeiras, começam a perder as flores - Foto: JUAREZ RODRIGUES/EM/D.A PRESS O inventário, também chamado de recenseamento, mostra que os ipês, símbolo do Brasil na cor amarela, representam 8% das árvores nas três regionaisNesse tempo seco, muitas delas já perderam as flores brancas, roxas, amarelas e rosas, que dão o tom de agosto na capital e interiorNa Avenida Agulhas Negras, no Bairro Mangabeiras, na Região Centro-Sul, é possível ver alguns espécimes, da mesma forma que quaresmeiras mostrando as últimas flores

 

Longa espera

Em dezembro de 2009, foi assinado um convênio entre a PBH e Cemig para elaboração do inventário, com previsão de término em 2011

Esperado há muitos anos – as árvores plantadas inadequadamente nas ruas ou em situação de risco oferecem sérios problemas, principalmente na temporada de chuvas e ventos fortes –, o inventário foi divulgado como instrumento para catalogar toda a flora urbana, verificando as condições do tronco, copa, além de cadastramento de cada uma com o nome popular e científico, altura e outros dados importantesO trabalho inclui planejamento, serviço de campo e o inventário.

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