Jornal Estado de Minas

Colegas e familiares se despedem de bombeiro morta durante incêndio em BH

Na chegada ao Cemitério Parque Renascer, o caixão estava coberto pela bandeira do Brasil em cima do caminhão American La France, seguido de outras viaturas da corporação que estavam com a sirenes ligadas. Fernanda Ferreira Patrocínio de Oliveira trabalhava no 1º Batalhão do Corpo de Bombeiros

Luana Cruz, Paulo Filgueiras, Cristiane Silva, Daniel Camargos, Mateus Parreiras, Pedro Rocha Franco, Luciane Evans, Leandro Couri

- Foto: Pedro Ferreira/EM DA Press

O corpo da sargento Fernanda Ferreira Patrocínio de Oliveira, do 1º Batalhão do Corpo de Bombeiros, que morreu na noite de quinta-feira durante atendimento a uma ocorrência na Savassi, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, chegou às 10h50 ao Cemitério Parque Renascer, na Grande BH, para o velórioO caixão estava coberto pela bandeira do Brasil em cima do caminhão American La France, seguido de outras viaturas da corporação que estavam com a sirenes ligadasMuitos colegas de profissão e familiares se despendem de Fernanda nesta sexta-feira e enterro está marcado para as 16h.

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- Foto: Reprodução Jair Amaral/EM DA PressO pai da bombeiro, o almoxarife Gladiston Vicente da Silva disse que o sonho da filha desde 4 anos era salvar vidasEla estudou enfermagem, trabalhou e hospitais e, por incentivo de um irmão, que é policial militar, ingressou no Corpo de Bombeiros, onde trabalhava há quase cinco anosMuito emocionado, o pai estava usando uma camisa da corporação que recebeu como presente de Fernanda

A mãe dela, a auxiliar administrativa Maria Alaíde Ferreira da Silva também falou da missão da filhaEla disse que o conforto é saber que a sargento morreu salvando vidas, mas não consegue acreditar ainda no que aconteceuA mãe disse que tinha muito orgulho de Fernanda

A bombeiro era casada com um soldado do pelotão da Refinaria Gabriel Passos (Regap), em BetimO casal morava em um sítio em Igarapé e planejava comprar outro terreno em Nova Lima para onde se mudariam com os dois cães, que eram a paixão de FernandaDe acordo com a família, a sargento trabalhou na equipe de segurança do governador Anastasia, mas pediu para voltar ao operacional da corporação

Ela já havia prestado serviços no 2º Batalhão em Contagem e agora estava no 1º Batalhão em Belo Horizonte

- Foto: Hudson Franco/EM DA PressFogo

O incêndio aconteceu no apartamento 802 do Condomínio Residencial Solar das Águias, na Rua Tomé de Souza, 1.400O fogo já havia sido debelado quando Fernanda foi encontrada caída, inconsciente, dentro de um dos dois elevadores do prédio, de 11 andaresA sargento estava à frente de uma das guarnições e foi vista entrando no edifício sem equipamentos de segurança

O major Wallace Tardim, subcomandante do 1º BBM, explicou que em toda ocorrência que envolve adversidade é realizado um estudo detalhado das circunstâncias do episódio por um grupo de pesquisa da corporaçãoNesse caso, um dos pontos de análise será a razão que levou a sargento a pegar o elevador, já que o procedimento comum é o uso das escadas, como admitiu TardimA militar foi localizada por volta das 18hSeus colegas a retiraram imediatamente do local e passaram a fazer manobras para ressuscitá-laCom a chegada de uma ambulância, foram realizadas novas tentativas, com uso de aparelhos, mas Fernanda não reagiu

American la France

O caminhão foi fabricado em Nova York (EUA), em 1959, pela American la France Corporation, empresa especializada em veículos de combate a incêndio
Tem motor de seis cilindros e 205HP, um reservatório para 1.135 litros de água e 518 metros de mangueira de 2,5 polegadasA cabine é aberta, tipo conversívelO caminhão desfila nas paradas de 7 de Setembro, na chegada de vitoriosas delegações esportivas, funerais de chefes de Estado, procissões, eventos evangélicos e festas infantisO veículo foi usado para o transporte do corpo do ex-presidente Tancredo Neves, em 1985, e para levar o corpo de José Alencar em 2011