A morte de uma militar do 1º Batalhão do Corpo de Bombeiros durante atendimento a uma ocorrência na Savassi, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, será alvo de investigação interna da corporação, além de inquérito na Polícia CivilA sargento Fernanda Ferreira Patrocínio de Oliveira, de 33 anos, morreu no começo da noite dessa quinta-feira, quando atuava no combate a um incêndio no apartamento 802 do Condomínio Residencial Solar das Águias, na Rua Tomé de Souza, 1.400O fogo já havia sido debelado quando ela foi encontrada caída, inconsciente, dentro de um dos dois elevadores do prédio, de 11 andares
A sargento estava à frente de uma das guarnições e foi vista entrando no edifício sem equipamentos de segurança“Nós, moradores, estávamos do lado de fora quando ela desceu, bastante suada e demonstrando exaustãoA sargento fez um relato da situação a um oficial e ele determinou que ela colocasse a máscara com cilindro de oxigênio antes de voltar ao prédioEla parecia cansada, como se tivesse participado de uma maratona”, contou um morador, que pediu para não ser identificado.
O major Wallace Tardim, subcomandante do 1º BBM, explicou que em toda ocorrência que envolve adversidade é realizado um estudo detalhado das circunstâncias do episódio por um grupo de pesquisa da corporaçãoNesse caso, um dos pontos de análise será a razão que levou a sargento pegar o elevador, já que o procedimento comum é o uso das escadas, como admitiu Tardim
O subcomandante acrescentou que, pelo fato de o edifício em que ocorria o incêndio ser de pequeno porte, a ausência da militar por um ou dois minutos não poderia ser considerada indício de problemaEle disse ainda que, dependendo do estágio em que está a ocorrência, o deslocamento individual de um dos militares não é considerado atitude de riscoNo caso de ontem, a duas equipes que estavam no local tinham dado como finalizado o combate ao fogo.
A arquiteta Ana Flávia Guimarães, moradora do 11º andar do edifício, contou que estava em casa com dois filhos quando foi alertada sobre o incêndio
Fumaça
O namorado de uma moradora foi quem encontrou a sargento caída no elevador“Os bombeiros liberaram para que os moradores subissem para ver como estavam seus apartamentosPerguntei se podia usar o elevador e um deles me respondeu que simQuando a porta abriu, vi a militar sentada no chão e gritei por socorroEla estava com equipamento de segurança, porém imóvel”, contou o homem, que preferiu não se identificarEle acrescentou que quando o elevador se abriu havia muita fumaça no ambiente.
A militar foi localizada por volta das 18hSeus colegas a retiraram imediatamente do local e passaram a fazer manobras para ressuscitá-laCom a chegada de uma ambulância, foram realizadas novas tentativas, com uso de aparelhos, mas Fernanda não reagiu
O clima de comoção era grande entre os colegas de farda, moradores da rua e pessoas que passavam pelo localOs companheiros de equipe, acostumados a presenciar tantas tragédias, tiveram que ser amparados por outros militaresO major Tardim disse que a sargento sofreu parada cardiorrespiratória e que as causas da morte ainda serão apuradasDe acordo com ele, Fernanda Ferreira, recém-casada com um militar da corporação, estava nos Bombeiros havia cerca de cinco anos e era uma profissional exemplar, sempre atuando na linha de frente