A população sente na pele e protesta: faltam médicos e qualidade na saúde em todo o país; a presidente Dilma Rousseff anuncia: quer importar 6 mil doutores de Cuba para trabalhar em cidades do interior; entidades médicas rebatem: não faltam profissionais, e sim estrutura para atender bem os pacientes; prefeitos apelam: oferecem até R$ 35 mil para um clínico fixar residência na cidade, mas sem carteira assinada
A briga só comprova que o setor sofre de um mal crônico e se encontra em um quadro cuja gravidade só se compara à qualidade do serviço que prestaSeja no interior, seja na Região Metropolitana de BH, a saúde está em xequeNão é à toa que levantamento do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM/MG) mostra que faltam médicos em um quarto dos 853 municípios mineirosSão 209 cidades sem nenhum suporteOutros 148 (17,3%) têm apenas um médico
Em outro estudo, o CRM mostra que as perspectivas não são boasMais de 60% dos médicos que se formaram em 2012 tinham a intenção de trabalhar apenas em municípios com mais de 100 mil habitantesMetade deles, no entanto, quer mesmo é exercer a profissão em Belo Horizonte e apenas 7,15% se disseram dispostos a ir para pequenos municípiosEnquanto isso, as ofertas só aumentam no banco de empregos no site do CRM
Em meio à expectativa de prefeitos, população e entidades médicas, a presidente Dilma convocou ministros para, amanhã, anunciar o programa Mais médicos para o Brasil, ocasião em que vai lançar o edital de chamamento de médicos para trabalhar no saúde da família em cidades do interior e abrir vagas em graduações e especializações de medicina.
ABANDONO Se do lado dos médicos já há predisposição de evitar pequenos municípios, em algumas localidades, principalmente nas mais distantes das cidades-polo, as dificuldades de fixar profissionais passam pelas péssimas condições de atendimento, falta de equipamentos e medicamentos básicos, impossibilidade de realização de exames e dificuldades de prestação de socorro pela ausência quase completa de infraestruturaEm outros locais, o problema é insegurança nas unidades e imediações.
A falta de carteira assinada e às vezes até de contrato para médicos também é um entraveNessas condições, o pagamento dos proventos fica à mercê da boa vontade dos prefeitos“É comum o médico receber no primeiro mêsO segundo salário é pago com atraso e depois ele deixa de receber”, sustenta o presidente do CRM/MG, João Batista Gomes Soares.