Jornal Estado de Minas

Faltam médicos em cidades do interior do país

Em meio a embate sobre contratação de estrangeiros, quem mora nos rincões do estado sofre com a falta não só de médicos, mas também de condições para se tratar nos grandes centros

Jorge Macedo - especial para o EM
Luiz Ribeiro

Se falta entendimento entre governo federal e entidades médicas quanto à melhor forma de solucionar o déficit de profissionais no país, especialmente em cidades do interior, uma constatação parece ser consenso: a dificuldade de conseguir uma consulta médica é diretamente proporcional à distância de cada município dos maiores polos urbanos
E é exatamente nesses lugares considerados pouco atraentes pelos profissionais que está a população mais carente e com maior dificuldade de se deslocar até cidades com melhor estrutura de saúdeO problema é sentido na pele pelos 6,1 mil moradores de Juvenília, a 810 quilômetros de Belo Horizonte, na divisa com a Bahia, extremo Norte do estadoHá dois meses não é prestado nenhum atendimento na Unidade Básica de Saúde local, que representa toda a estrutura assistencial do município, pois o único médico que trabalhava na cidade pediu contas e se mudou para o Ceará.

O prefeito Expedito da Mota Pinheiro, o Péu (DEM), informa que ainda no princípio de maio começou a procurar outro médico, oferecendo salário de R$ 16 mil por mêsApesar de não conseguir convencer nenhum profissional, mesmo oferecendo salário atraente, o prefeito não aprova a proposta do governo federal de importação de médicos de Cuba“Acho que deveriam incentivar a contratação de brasileiros mesmoMas é preciso elevar arrecadação de cidades pequenas como a nossa, que vive exclusivamente do Fundo de Participação dos Municípios, para que tenhamos condição de melhorar a nossa estrutura de saúde e contratar mais médicos”, diz

- Foto: Enquanto não entra mais dinheiro no cofre, é o prefeito quem exporta seus doentes de ambulância para Montalvânia, cidade de 16 mil habitantes, a 29 quilômetros de distância, que tem apenas um profissional, e atendendo fora da sedeCasos mais graves são mandados para Montes Claros, a 390 quilômetros de Juvenília.

A dificuldade para contratar médicos é enfrentada da mesma forma pelos 4,9 mil habitantes de Miravânia, também no Norte de Minas, a 711 quilômetros da CapitalO prefeito Raimundo Nonato Luna (DEM) diz que, para despertar interesse da categoria, elevou para R$ 21 mil o salário de um médico clínico geral no municípioMesmo assim, a proposta não pareceu tão tentadora
Apenas uma das duas unidades do Programa de Saúde da Família (PSF) conta com médico atendendo diariamenteA outra não oferece consultas há dois mesesA secretária municipal de Saúde, Idalina Mota, informou que amenizará a situação com quatro acadêmicos de medicina que iniciarão estágio no município neste mês“Foi uma salvação para a gente”, comemora Idalina.