Jornal Estado de Minas

Médicos querem prova para os estrangeiros

Médicos e estudantes abriram a passeata às 16h, percorreram ruas da área hospitalar e foram para o Centro - Foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press


Mais de 1 mil pessoas, todas profissionais de medicina, vestiram seus jalecos ontem para se manifestar nas ruas de Belo Horizonte contra a importação de 6 mil médicos de Cuba sem uma avaliação para atestar o diploma delesO anúncio havia sido feito em maio pela presidente Dilma Rousseff, que reafirmou a decisão em pronunciamento em rede nacional no dia 21, como resposta aos protestos que se espalharam pelo país durante a Copa das ConfederaçõesEm Minas, houve ontem protestos em Pouso Alegre, Varginha e UberlândiaMédicos e estudantes de medicina também fizeram passeatas também em São Paulo, Rio, Ceará, Bahia e Pernambuco, entre outros estadosSegundo o Conselho Federal de Medicina, havia previsão de atos em todas os estados.

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Ao fim do protesto, as entidades se reuniram na Associação Médica de Minas Gerais (AMMG) e decidiram redigir um documento, chamado Carta de Minas, em que serão colocadas as reivindicaçõesO texto será anexado a outros feitos nas demais regiões do país e entregue à presidente DilmaNele, a categoria repudia a proposta de importação de médicos e descreve problemas da saúde pública, como falta de estrutura, medicamentos e demora na realização de exames, entre outrosDefendem ainda que haja um plano de carreira com concurso público para ocupação de vagas em cidades do interior

Segundo a presidente do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sindmed-MG), Amélia Pessoa, outra carta será enviada ao prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, relatando problemas na estrutura da saúde na capital, como equipes incompletas, estrutura precária nas unidades e construção do hospital do Barreiro, previsto no plano de governo“Em muitos lugares a estrutura é pequena, os médicos têm de se revezar em consultórios para atender, isso é bastante precário”, afirmou

Trânsito parado

Ela esclareceu que as entidades são contrárias à vinda de médicos sem que eles façam a prova de revalidação do diploma
“Se fizerem a prova, não há problema algum em atuarem no BrasilNão somos contraA questão proposta é que eles assinem um contrato com o governo federal para atuar especificamente naquela localidade por três anos, isso é o mesmo que trabalho escravo”, criticou.

A manifestação começou na entrada da sede do Conselho Regional de Medicina (CRM), no Centro da capitalPor volta das 16h,  seguiu em passeata subindo a Avenida Afonso Pena em direção à área hospitalarO trânsito foi parado por militares que acompanharam os manifestantesCom faixas, cartazes, apitos e narizes de palhaço, os profissionais, muitos deles residentes e professores da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ocuparam todas as pistas por onde passaram, abrindo espaço apenas para ambulânciasNo percurso, eles pararam em frente ao prédio da Prefeitura de Belo Horizonte e depois ocuparam o Pirulito da Praça Sete, onde cantaram o hino nacional.

Interior

O presidente do CRM-MG, João Batista Gomes Soares, também criticou a medida e disse que o governo federal precisa melhorar as condições de trabalho em cidades pequenas para atrair a classe médica, não somente oferecendo alta remuneraçãoEle disse ainda que a rotatividade é alta no interior porque não há um plano de carreira para a categoria e os médicos são contratados sem garantia “O prefeito oferece um salário alto, mas quando se chega lá, ele paga um mês, depois não paga maisA saúde do município fica toda em cima do profissional, que não vai conseguir resolver sozinho os problemas de pacientes
A morte cai nas costas do médico.”

O presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto D’Ávila, afirmou que o movimento atingiu sua meta“O objetivo era ir para a rua dizer que defendemos melhores condições de trabalho e mais investimentos na saúde.”


Principais reivindicações

1)    Aprovação urgente da PEC 454, em tramitação na Câmara dos Deputados, que estabelece carreira pública para médico semelhante ao que ocorre no JudiciárioÉ o caminho apontado para estimular a interiorização.

2)    Defesa da derrubada do Decreto 7.562, de 15 de dezembro de 2011, que modificou a Comissão Nacional de Residência MédicaA categoria considera que a medida sucateou a formação de médicos especialistas no país.

3)    Admissão de médicos estrangeiros a partir da revalidação dos seus diplomas por meio do Programa Revalida, do Ministério da Educação.

4)    Vistoria nas principais unidades de saúde do país, encaminhando denúncias ao Ministério Público e outros órgãos de fiscalização, revelando a precariedade da infraestrutura de atendimento.

5)    Incentivo à coleta de 1,5 milhão de assinaturas para tornar viável a apresentação de um projeto de lei de iniciativa popular Saúde %2b10, que estabelece mínimo de 10% da receita bruta da União para investimentos em saúde.