Jornal Estado de Minas

Voluntários preparam pronto-socorro para socorrer feridos em protesto em BH

Na manhã de ontem, o grupo se reuniu no Bairro Itapoã e recebeu orientações do professor Giovano Ianotti, da Faculdade de Medicina da Unifenas, que atendeu vítimas no conflito no sábado

Daniel Camargos
Estudantes de medicina receberam orientações e treinamento para socorrer pessoas feridas - Foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press

Um grupo de 40 voluntários, entre estudantes de medicina e médicos, prepara uma operação de guerra para socorrer feridos no limite da área reservada à Fifa, entre as avenidas Antônio Carlos e Abrahão Caram, na Região da Pampulha, palco de recentes conflitos entre policiais e manifestantesNa manhã de ontem, o grupo se reuniu na Praça Santa Bárbara, no Bairro Itapoã, e recebeu orientações do professor Giovano Ianotti, da Faculdade de Medicina da Unifenas, que atendeu vítimas no conflito no sábado


“Somente o fato de vocês estarem aqui já manifesta desprendimento e vontade de ajudar digno de quem quer ser médico”, afirmou o professor, ao abrir a reuniãoSentados no chão da praça, os voluntários (estudantes de medicina e psicologia da Unifenas e UFMG) escutaram as orientações e deram sugestões“Não é pelo dinheiroÉ pelo abraço que o pai e a mãe do Caio me deram no hospital”, afirmou o professor, referindo-se à família de Caio Augusto, que caiu do Viaduto José Alencar no sábado e foi socorrido por ele

O professor enfatizou que os estudantes nunca se devem colocar em situação de risco“Não faz sentido virar outra vítima”, frisouIanotti destacou que o discurso da polícia é “agressivo” e que do lado dos manifestantes muitos estão sedentos para dar o “troco” do conflito de sábado“Não podemos aceitar a violênciaO objetivo é não ter nenhum paciente durante a manifestação”, destacou

A orientação que ele passou aos alunos foi para se engajarem e mobilizarem amigos para não seguirem em direção ao Mineirão, pois a possibilidade de conflito é muito grande.

Essa primeira atitude é considerada pelo professor como “medicina preventiva”, porém, caso o conflito se torne inevitável, ele destaca que o papel dos médicos é estar perto das vítimasEntretanto, ele ressalta que, se uma minoria assumir uma postura de conflito, a atitude do grupo deve ser de seguir com a maioria

Outra orientação aos voluntários é para que influenciem as pessoas a não subirem no Viaduto José de Alencar, que dá acesso à Avenida Abrahão Caram“O viaduto é uma armadilhaO parapeito é baixo, as pessoas ficam cegas com o gás lacrimogêneo e a pimenta e caem lá de cima”, destaca Ianotti, lembrando que quatro jovens já caíram do elevadoPara aliviar a irrigação nos olhos devido ao gás, o professor recomenda uma mistura de água com leite de magnésia“O vinagre é ácido e levemente bronco-dilatador”, reforça Ianotti

LOCAL PROTEGIDO
O grupo de voluntários pretende montar uma base de atendimento em um local protegido do vento, para que não sejam atingidos pelo efeito das bombas“Vamos tentar conversar com a polícia para não nos atacar e explicar qual a nossa intenção”, afirma Ianotti, que relatou diversos problemas com os militares no sábado“Se for alvo, corra!”, alertou
Ele orientou os voluntários para que o atendimento seja feito a todos“Se houver policial, manifestante ou bandido, todos têm de receber o mesmo tratamento”, destaca, lembrando que os estudantes não são médicos“Vocês são cidadãos com conhecimentos básicos de primeiros socorrosO procedimento médico deve ficar com os médicos que estarão lá”, afirma Ianotti

Alguns cuidados básicos de atendimento de emergência foram repassados aos voluntáriosQuem quiser ajudar os voluntários com a compra de material médico pode procurá-los no grupo do Facebook “Apoio médico aos manifestantes de BH”Os estudantes vão comprar, com recursos próprios, material como luvas, ataduras e gazes