Como não há vias próximas para receber parte dos veículos, a Platina tem congestinamentos diários, devido ao tráfego intenso e estacionamento irregular. Pedestres correm risco ao atravessar sem segurança - Foto: PAULO FILGUEIRAS/EM/D.A PRESS Uma das principais vias dos bairros Prado e Calafate, na Região Oeste de Belo Horizonte, devido à grande circulação de ônibus, proximidade de uma estação de metrô e estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços, a Rua Platina deveria contar com fluxo organizado de veículos, asfalto em perfeitas condições, fiscalização diária e educação dos motoristas ao longo de seus dois quilômetros Mas, na prática, falta tudo isso e sobram problemas que complicam a vida de quem depende da ruaO pavimento está desgastado, há estacionamento proibido em quase todos os quarteirões, congestionamentos frequentes e faltam faixas de pedestres com semáforo
O gargalo no trânsito e o risco de atropelamento para pedestres, que se espremem entre os carros para atravessar sem segurança, compõem um cenário alheio que carece de intervenção do poder públicoPassageira do metrô, a relações-públicas Raquel Araújo, de 38 anos, convive diariamente com o perigoO acesso à Estação Calafate pela Platina é feito em uma altura da via em que não há faixa de pedestreO jeito é esperar“A dificuldade aqui é muito grande para chegar ao outro ladoO trânsito é muito intenso e é preciso implantar mais faixas de pedestre”, diz.
Excesso de carros e falta de educação de motoristas e de manutenção de asfalto e calçadas sufocam a Rua Platina, importante corredor de trânsito da Região Oeste de BH - Foto: PAULO FILGUEIRAS/EM/D.A PRESS A cada minuto inúmeras pessoas deixam a estação e chegam à ruaQuase ninguém volta e usa a faixa de pedestre com semáforo a cerca de 200 metros dali“O sinal fica muito tempo aberto para os carros e pouco para os pedestres, o que desanima as pessoas”, reclama Mauro de Castro, 53, há 37 anos responsável por uma relojoaria na PlatinaEle conta que o horário mais complicado é o o fim do dia: “Entre as 18h e as 19h fica tudo travado, é uma rua de passagem e o movimento é muito grande”.
Outro grave problema é o estacionamento irregular
Há grande demanda e pouca oferta de vagasEntre a Avenida Silva Lobo e as ruas Doutor Gordiano e dos Andes, onde o comércio é maior, não é permitido estacionar, mas motoristas ignoram a proibição e deixam os carros em pontos de ônibus e sobre as calçadasO engenheiro civil e consultor em transporte e trânsito Silvestre de Andrade Puty Filho ressalta que um veículo estacionado em local de grande circulação, como a Platina, compromete muito a fluidez“Um carro que para em uma faixa livre pode prejudicar 2 mil veículos em uma hora”, alerta
Andrade destaca que os problemas na Platina têm reflexo grande na região que exige fiscalização e manutenção frequentes“Ruas como a Platina, Niquelina (Leste) e Jacuí (Leste e Nordeste) refletem a realidade de uma cidade que cresceu desordenada”, avalia o engenheiro
No caso do entorno da Platina, falta opção para criar mão única na via, que vai da Avenida do Contorno até a Avenida Silva Lobo“Não há uma via com capacidade para o trânsito no outro sentidoHá muita descontinuidade nas ruas em volta, o que obrigaria a abertura de um verdadeiro caminho de rato para o trânsito circular no sentido contrário”, acrescenta.
Fiscalização e requalificação Comandante do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), o tenente-coronel Roberto Lemos afirma que a Rua Platina tem fiscalização constante de uma equipe integrada com a BHTrans“Como a área é de trânsito frequente de militares, sempre há fiscalização, seja pela equipe do BPTran integrada com a Guarda Municipal e BHTrans ou por outros policiais em serviço”, garante
O militar atribui os problemas ao crescimento da região e critica as condições do asfalto, além da falta de faixas de pedestres“A região necessita de um tratamento na pista e nas calçadas para ordenar a circulação”, completa
- Foto: ARTE EMEm nota, a BHTrans informou que já estuda um projeto de requalificação viária da Rua Platina, que estabelece “a organização da distribuição das faixas de trânsito, correções geométricas e adequações de calçadas, das áreas de estacionamento, das travessias para pedestres e dos pontos de embarque e desembarque do transporte coletivoO projeto não tem data para ser concluído”.
A empresa afirma que não existe outra via para reduzir o fluxo de veículos da Platina, o que inviabiliza a criação de mão únicaA BHTrans garante que faz fiscalização constante com equipes integradas com a Polícia Militar e a Guarda MunicipalTambém por meio de nota, a Secretaria Municipal de Obras informou que não há projeto de obra viária de grande porte para a região, nem sequer previsão de recapeamento.