Segundo ele, a carência ajuda a explicar o fato de o governo ter contratado este ano apenas 26,32% do contingente requisitado pelos municípios mineiros inscritos no Programa de Valorização da Atenção Básica (Provab), destinado a atrair médicos para o interior e periferia de grandes cidades.
As prefeituras mineiras apresentaram a necessidade de 1.512 médicos, mas conseguiram apenas 398O índice foi inferior aos 32% de pedidos liberados pelo governo para todo o Sudeste do Brasil, apesar de Minas ter apenas 1,81 médico para cada 1 mil habitantes, taxa abaixo da do Rio de Janeiro (3,44), São Paulo (2,49) e Espírito Santo (1,97), segundo dados do próprio ministérioEm todo o Brasil, onde há 1,8 médico para cada 1 mil habitantes, 3,8 mil médicos foram admitidos, o que representa 29,2% dos 13 mil solicitadosNo país, 1.291 municípios foram beneficiados, 182 deles em MinasOs profissionais contratados começaram a trabalhar em março.
O Provab oferece uma bolsa mensal de R$ 8 mil aos participantes, que devem cumprir 32 horas semanais de atividades práticas nas unidades básicas de saúde e oito horas semanais de curso de pós-graduação em saúde da família com duração de 12 mesesEles são supervisionados por instituições de ensino e os bem avaliados recebem bonificação de 10% no exame de residência médicaApesar do incentivo, houve apenas 9 mil inscritos
Estrangeiros
Alexandre Padilha reconhece que locais distantes dos grandes centros urbanos têm dificuldade em atrair e manter médicos“É preciso investir cada vez mais na estrutura das unidades de saúde”, disse o ministro
O ministro explicou que o Provab incentiva também a melhoria da infraestrutura dos centros de saúde“O município que quis médico teve de pegar recursos do ministério para reformar, ampliar ou construir suas unidadesVamos estabelecer esse mesmo critério para os municípios que queiram participar do programa de atração de médicos estrangeiros”, afirmou Padilha, fazendo referência à controversa proposta do governo de estimular a vinda de profissionais de outros países para o Brasil
Carência
O ministro defendeu também que a carência de médicos em algumas regiões pode ser combatida com a criação de mais cursos de graduação no interior“Precisamos dar oportunidade para o jovem do interior poder fazer uma faculdade de medicinaÉ essa população que vai se comprometer cada vez mais a ficar no interior e nas periferias”, argumentouEle quer ainda que esses locais ofereçam planos de carreira mais atraentes: “O ministério defende que existam carreiras regionais como estímulo para fixação do médico.”