Uma capital com nove “centros da cidade” é o desenho que a prefeitura está traçando para Belo Horizonte nas próximas décadasA fim de desafogar o Hipercentro, a Secretaria Municipal Adjunta de Planejamento Urbano identificou áreas em cada uma das regionais onde serão criados polos de comércio e serviçosAs avenidas José Cândido da Silveira, Abílio Machado e Sinfrônio Brochado, a Rua Padre Pedro Pinto e os bairros Santa Amélia, Betânia e Guarani, além da região da nova rodoviária, no São Gabriel, são os endereços indicados para o crescimento de BHMoradores, entretanto, questionam a forma de adensamento e cobram maior transparência da prefeitura sobre os projetos para a cidade.
O levantamento resulta da elaboração dos planos diretores regionais e foi apresentado ontem durante o evento “De olho no futuro: como estará Belo Horizonte daqui a 25 anos?”, promovido pelo Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco)Em gestação desde 2011, os estudos identificaram os problemas e potencialidades e vão direcionar o desenvolvimento de cada uma delasCom exceção da Centro-Sul, a proposta é que todas as outras oito regionais concentrem equipamentos públicos, consultórios médicos, comércio diversificado, empresas, entre outros serviços.
Na Região Oeste, o Bairro Betânia foi eleito vetor do crescimentoNa Noroeste, a Avenida Abílio Machado, no Bairro Alípio de MeloNa Região Norte, o Bairro GuaraniNa Leste, o foco dos empreendimentos será a Avenida José Cândido da Silveira e, na Nordeste, a região no entorno da nova rodoviária, no Bairro São GabrielA intenção é criar incentivos para a ocupação mais diversificada dos arredores da Avenida Sinfrônio Brochado, no Barreiro, e da Rua Padre Pedro Pinto, em Venda Nova.
Segundo a arquiteta urbanista Luciana Ostos, da Secretaria de Planejamento Urbano, o objetivo é evitar que as pessoas tenham que se deslocar para o Centro da cidade e possam contar com comércio e serviços diversificados perto de casa“Os estudos mostraram a capacidade de suporte de algumas regiões para a criação de novas centralidades
As alterações dependem de aprovação da Câmara Municipal, e a arquiteta garante que não são sinônimos de verticalização“Venda Nova, por exemplo, conseguiu criar um centro sem crescimento vertical”, dizA conclusão do trabalho será apresentada na Conferência Municipal de Políticas Urbanas este anoÉ nesse evento, sem data marcada ainda, que representantes da sociedade civil, empresários e poder público definirão mudanças nas Lei de Parcelamento, Ocupação e Uso do Solo e no Plano Diretor de BH.
Um dos integrantes do Movimento das Associações de Bairro de BH (MAM-BH), Fernando Santana, reclama da falta de clareza no planejamento da prefeitura“A ideia de descentralizar é importante, mas não ficou claro como isso será feitoHá pessoas que moram nesses lugares e ficam preocupadas com uma possível verticalização”, afirma Santana
A arquiteta urbanista Jurema Rugani, do Fórum Agenda 21, ressalta que, para estimular a criação de novos centros, não basta adensar“É preciso agregar serviços fundamentais à população, como educação, transporte, oferta de saúdeCaso contrário, dificilmente, a população deixará de frequentar a Região Centro-Sul”, afirma.
Frota de veículos crescerá 70%
Em 2040, quase 70% a mais de veículos nas ruas e avenidas de Belo HorizonteA perspectiva assustadora foi apresentada ontem pelo Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco), durante o evento “De olho no futuro: como estará BH daqui a 25 anos?”
“Não há obra que sustente uma situação dessasO governo não pode mais privilegiar o transporte individual em detrimento do transporte de massa”, avalia o presidente do Sinaenco, Maurício de LanaPara agravar a situação, o consultor em transportes Silvestre de Andrade ressalta que, apesar das obras e promessas, BH enfrenta falta de investimentos em mobilidade.
“Estamos pagando por uma defasagem de um período sem obras e de explosão demográficaÉ um passivo a ser resgatado”, alertaAlém do investimento em transporte público de massa, principalmente o metrô, o especialista defende o estímulos a centros regionais de comércio e serviços, valorização do pedestre e ciclista, pedágio urbano em áreas mais centrais, para desestimular o uso do carro nessas regiões.
O evento começou na capital mineira e vai passar por mais 12 cidades brasileirasAs sugestões e principais discussões levantadas em cada cidade serão consolidadas em um documento e entregues aos governos e prefeituras no fim do ano.
SAIBA MAIS: novas áreas de preservação
Além de apontar regiões potenciais para a formação de novos centros urbanos, os planos diretores regionais identificaram futuras áreas de preservação ambientalO objetivo é formar corredores verdes entre reservas já protegidas, além de parques ao longo de cursos d’água, como o Ribeirão do OnçaPela proposta da prefeitura, a Regional Nordeste é aquela com maior acréscimo de proteçãoAtualmente, o maior percentual de áreas de interesse ambiental está localizado no Barreiro, com 26,8% de seu território tomado pelo verde.