
As negociações da campanha salarial entre servidores municipais grevistas e a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) nem chegaram a uma conclusão e as categorias já ameaçam cruzar os braços durante a Copa das Confederações, em junho, para reivindicar outras demandas. A aproximação do evento mundial é usada como estratégia para pressionar a administração municipal a retomar a discussão sobre a reformulação dos planos de carreira dos trabalhadores. O Sindicato dos Servidores Públicos de Belo Horizonte (Sindibel) confirma que a possibilidade já foi levantada em várias conversas e que a ideia de paralisar o serviço público durante os jogos é uma forma de chamar a atenção e forçar uma resposta da PBH. Caso a ameaça se concretize, moradores e turistas podem ficar reféns das exigências dos grevistas e sofrer ainda mais com a falta de serviços essenciais como assistência médica e limpeza urbana.
As manifestações pela revisão dos planos de carreira independem da resposta dada pela prefeitura à campanha salarial, conforme explica o secretário-geral do Sindibel, Israel Arimar de Moura. “São reivindicações diferentes. A ideia é aguardar as negociações do movimento geral sobre o reajuste dos salários para, depois de chegar a um consenso, trabalhar a outra pauta”, afirma o sindicalista. Suspensa desde 2012, a discussão sobre a alteração dos planos de carreira, segundo Moura, é uma das demandas represadas devido ao ano eleitoral. “Esperamos as eleições e as mudanças de governo e desde então não voltamos às negociações”, diz.
Entre os profissionais da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU), a ideia de paralisar os trabalhos durante a Copa das Confederações tem ganhado força. A categoria ainda não entrou na campanha unificada, mas segundo o diretor de assuntos da SLU no Sindibel, Robson Rodrigues, os trabalhadores estão dispostos a engrossar a lista de servidores em greve. Além da revisão dos salários, os funcionários da autarquia reivindicam a revisão dos planos de carreira, reajuste dos vales refeição e alimentação e o fim da terceirização de servidores. “A maioria está insatisfeita com os salários e está quase tudo acertado para que possamos parar na véspera da Copa”, afirma o diretor. Se o plano for posto em prática, serviços como a coleta de lixo hospitalar, limpeza de parques municipais e praças serão os mais afetados durante o evento mundial. A varrição de ruas e o recolhimento de lixo nos bairros também devem ser prejudicados, já que a autarquia é responsável por coordenar o trabalho dos funcionários terceirizados.
Embate
O secretário-geral do Sindibel garante que, antes de cruzar os braços, os servidores pretendem dialogar com a prefeitura. “Não temos o menor interesse em entrar em greve apenas por entrar. O que queremos é estabelecer uma conversa com a administração para que não tenhamos de parar”, diz. Mas, caso o embate entre os servidores e a PBH permaneça, Moura acredita na adesão de outros trabalhadores, além dos que integram a SLU. “Essa possibilidade (de paralisação durante a Copa) está sendo levantada não só pelo pessoal da limpeza urbana, mas também da saúde e de outros setores do serviço público.” A diretora de assuntos da saúde no Sindibel, Ilda Carvalho, diz que a adesão da categoria é uma forma de fortalecer o movimento. “Se a categoria decidir parar na Copa, vamos nos unir para que o prefeito ouça nossas reivindicações”, garante.
Ciente da possibilidade de insatisfação da população em relação a novas manifestações, Robson argumenta que esta é a única forma de chamar atenção para a causa. “Temos consciência do desgaste que isso representa para a população e que ela não fica satisfeita ao ser prejudicada. Mas esse é o meio que encontramos para expor nossas dificuldades.” Por meio da assessoria de comunicação, a PBH informou que não vai se pronunciar sobre “eventos futuros” relativos às manifestações dos servidores.
