Jornal Estado de Minas

Risco de lixo pelas ruas

Grevistas ameaçam parar serviços essenciais durante a Copa das Confederações

Algumas categorias de servidores públicos de BH ameaçam paralisar suas atividades durante evento da Fifa em junho para pressionar prefeitura

Clarisse Souza
Limpeza urbana na capital corre risco de sofrer colapso se os garis da PBH cruzarem os braços no mês que vem - Foto: Beto Novaes/EM/D.A Press - 17/2/13


As negociações da campanha salarial entre servidores municipais grevistas e a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) nem chegaram a uma conclusão e as categorias já ameaçam cruzar os braços durante a Copa das Confederações, em junho, para reivindicar outras demandasA aproximação do evento mundial é usada como estratégia para pressionar a administração municipal a retomar a discussão sobre a reformulação dos planos de carreira dos trabalhadoresO Sindicato dos Servidores Públicos de Belo Horizonte (Sindibel) confirma que a possibilidade já foi levantada em várias conversas e que a ideia de paralisar o serviço público durante os jogos é uma forma de chamar a atenção e forçar uma resposta da PBHCaso a ameaça se concretize, moradores e turistas podem ficar reféns das exigências dos grevistas e sofrer ainda mais com a falta de serviços essenciais como assistência médica e limpeza urbana.

As manifestações pela revisão dos planos de carreira independem da resposta dada pela prefeitura à campanha salarial, conforme explica o secretário-geral do Sindibel, Israel Arimar de Moura“São reivindicações diferentesA ideia é aguardar as negociações do movimento geral sobre o reajuste dos salários para, depois de chegar a um consenso, trabalhar a outra pauta”, afirma o sindicalistaSuspensa desde 2012, a discussão sobre a alteração dos planos de carreira, segundo Moura, é uma das demandas represadas devido ao ano eleitoral“Esperamos as eleições e as mudanças de governo e desde então não voltamos às negociações”, diz

Entre os profissionais da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU), a ideia de paralisar os trabalhos durante a Copa das Confederações tem ganhado forçaA categoria ainda não entrou na campanha unificada, mas segundo o diretor de assuntos da SLU no Sindibel, Robson Rodrigues, os trabalhadores estão dispostos a engrossar a lista de servidores em greveAlém da revisão dos salários, os funcionários da autarquia reivindicam a revisão dos planos de carreira, reajuste dos vales refeição e alimentação e o fim da terceirização de servidores

“A maioria está insatisfeita com os salários e está quase tudo acertado para que possamos parar na véspera da Copa”, afirma o diretorSe o plano for posto em prática, serviços como a coleta de lixo hospitalar, limpeza de parques municipais e praças serão os mais afetados durante o evento mundialA varrição de ruas e o recolhimento de lixo nos bairros também devem ser prejudicados, já que a autarquia é responsável por coordenar o trabalho dos funcionários terceirizados.

Embate

O secretário-geral do Sindibel garante que, antes de cruzar os braços, os servidores pretendem dialogar com a prefeitura“Não temos o menor interesse em entrar em greve apenas por entrarO que queremos é estabelecer uma conversa com a administração para que não tenhamos de parar”, dizMas, caso o embate entre os servidores e a PBH permaneça, Moura acredita na adesão de outros trabalhadores, além dos que integram a SLU“Essa possibilidade (de paralisação durante a Copa) está sendo levantada não só pelo pessoal da limpeza urbana, mas também da saúde e de outros setores do serviço público.” A diretora de assuntos da saúde no Sindibel, Ilda Carvalho, diz que a adesão da categoria é uma forma de fortalecer o movimento“Se a categoria decidir parar na Copa, vamos nos unir para que o prefeito ouça nossas reivindicações”, garante.

Ciente da possibilidade de insatisfação da população em relação a novas manifestações, Robson argumenta que esta é a única forma de chamar atenção para a causa“Temos consciência do desgaste que isso representa para a população e que ela não fica satisfeita ao ser prejudicadaMas esse é o meio que encontramos para expor nossas dificuldades.” Por meio da assessoria de comunicação, a PBH informou que não vai se pronunciar sobre “eventos futuros” relativos às manifestações dos servidores